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Desabafo atrasado

A eleição acabou faz quase oito meses, mas Paulo Hartung (PMDB) e Renato Casagrande (PSB) ainda não desceram do palanque. A entrevista do governador publicada nessa segunda-feira (25) no jornal Metro foi mais uma saraivada de ataques ao antecessor. A queda de braço continua.
 
O socialista, que estava representando a Fundação João Mangabeira num congresso na Holanda sobre partidos progressistas, mal pôs os pés em Vitória, correu para as redes sociais e respondeu os ataques do governador. 
 
É justo que Casagrande faça a defesa do seu governo. Mesmo porque, as declarações de Hartung têm o exclusivo propósito de transferir os desacertos do atual governo para a conta do antecessor. 
 
Nesta quarta-feira (27), Hartung deu prosseguimento aos ataques a Casagrande durante um hangout – espécie de bate-papo virtual em que o interlocutor responde a perguntas em tempo real. No caso de Hartung, foram respondidas apenas as perguntas devidamente filtradas pela equipe do governador. “Democracia virtual” também tem suas mazelas.
 
Casagrande, contrariado com a insolência do rival, rebateu os ataques nas redes sociais. Os apoiadores do ex e do atual governador, se comportando como torcidas organizadas, postaram comentários positivos aos seus respectivos representantes. Os seguidores de Hartung se comportavam como uma claque de auditório. Já os mais de 51 mil seguidores de Casagrande pareciam mais espontâneos e sinceros. Aliás, o socialista leva uma vantagem retumbante sobre o rival quando o assunto é redes sociais. 
 
Número de seguidores à parte, interessa analisar mesmo o conteúdo das postagens. Com o título “Salvador da Pátria”, Casagrande disse que Hartung ressuscitava mais uma vez o discurso do caos para atacá-lo. Talvez no trecho mais inspirado, ele lembra que Hartung, em 2003 (início do primeiro mandato), adiantou com o presidente Lula R$ 300 milhões em royalties para pagar a folha do funcionalismo estadual. E emendou: “Fez como ele mesmo gosta de dizer ‘uma grande barbeiragem’. Aqueles R$ 300 milhões geraram uma dívida de mais de R$ 1 bilhão [para o Estado]”. E o restante do texto seguiu mais ou menos nesse mesmo tom de defesa indignada aos ataques que vem sofrendo. 
 
Apesar da vibração e mensagens de apoio de seus seguidores, que não foram poucos, Casagrande deve sentir um arrependimento muito grande de não ter passado a limpo o espólio que recebeu do peemedebista em 2010. A propósito, Hartung foi muito astuto em fechar a aliança com Casagrande. Acertos políticos das nacionais do PMDB, PT e PSB à parte, no final das contas o acordo livrou Hartung de ter seu governo confrontado. Esse talvez era o maior medo de Hartung. Havia muito sujeira embaixo do tapete
 
Casagrande faz agora um desabafo com quatro anos de atraso. Perdeu a oportunidade única de mostrar à população capixaba que o governo Hartung não passou de uma farsa. 
 
O socialista diz agora que Hartung tenta se passar por “Salvador da Pátria”, mas boa parte dessa fama foi construída graças à omissão de Casagrande, que engoliu as “barbeiragens” de Hartung, que não foram poucas, com resignação. 

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