É comum hoje encontrarmos trabalhadores que se dizem votantes em Lula ou Dilma, mas que não votam no PT. Essa visão da política voltada para o personalismo, para o pragmatismo em vez dos ideais partidários, atinge o partido, que deveria captar o voto ideológico. Culpa disso é o do movimento sindical, que deixou de lado uma de suas mais importantes funções: a formação política.
O cidadão hoje não diferencia entre comunismo, socialismo e capitalismo. Vive assediado por propostas de candidatos que prometem o imediato, mas não têm compromissos com mudanças sociais que atinjam a sociedade como um todo e não apenas privilegiem grupos políticos ou classes sociais. Daí essa esquizofrenia da sociedade, que vai ao sabor da onda política do momento.
Sem as informações, o trabalhador não tem como formular seu posicionamento político a partir de sua condição social. Daí a importância de o sindicato trazer as informações, seja por meio dos informativos, que trazem esclarecimentos não só para o trabalhador, mas para sua família; e as assembleias e reuniões no chão da fábrica.
O envolvimento do trabalhador nas discussões sindicais presta um grande serviço a essa tomada de consciência, que extrapola a discussão trabalhista e influencia na vida social, nas associações de moradores, nas igrejas, nas escolas, enfim, em todas as atividades comunitárias, e cria as condições para que o cidadão encontre entre os candidatos, nomes que representem suas bandeiras.
Mas, enquanto as lideranças sindicais discutem a perpetuação no comando de seus sindicatos, a formação política ficou em segundo plano ou esquecida mesmo. Sem essa consciência, o cidadão hoje acaba votando em candidatos que representam o patrão. Essa inércia do movimento sindical foi em grande parte responsável pelo governo golpista que agora articula a derrubada de direitos do trabalhador, que sem a consciência política não consegue perceber que deu um tiro no pé ao dar sustentação ao golpe.
Acorda peão!

