A mensagem do governo com projeto de lei permitindo a nomeação de “qualquer um” para a Secretaria da Fazenda, enviado à Assembleia nessa sexta-feira (19), causou reações inesperadas no plenário da Casa. Mas não foi um caso isolado. O mesmo ele fez na Secretaria da Saúde, tentando desmobilizar as cooperativas médicas.
Pelo jeito, a política de Hartung não inclui o diálogo com qualquer tipo de grupo. Em abril passado, a polícia “limpou” a área próxima à Volare, em São Mateus, antes que o governador chegasse para a inauguração da fábrica. É que por lá, um grupo de moradores protestava por causa das condições da estrada São Mateus – Boa Esperança.
E deixou claro que aquilo era insatisfação de um grupo pequeno. O que deixa subentendido que o que vale é o que ele quer e o que grupos isolados têm a dizer não interessa para a construção de seu mandato.
E o que dizer dos camponeses que ocuparam o Palácio Anchieta, em março passado, para falar sobre o fim da pedagogia da alternância, que foi encerrada pelo governo do Estado, dentro da política de planilha da Secretaria de Educação?
Isso para ficarmos só no terceiro mandato, afinal, foi com a ajuda da cúpula do PT que o governador tirou das ruas o movimento sindical, o que significou momentos de muita tranquilidade em seu governo. Com os estudantes a conversa também era na base da bala de borracha, quando se tratava de reajuste da tarifa do Transcol.
Esses sucessivos episódios mostram uma realidade muito evidente: o governador Paulo Hartung não aceita debater com classe, categoria, grupo, nada que remeta à aglomerado de pessoas. Sua política é vertical. Se não ler de acordo com sua cartilha, ele dá um jeito de acabar com o burburinho.
Mesmo que isso prejudique outros grupos. É o caso do empresariado local que está amarando prejuízo com o impasse na Secretaria da Fazenda em relação aos cargos de auditores fiscais. Com a nomeação de Paulo Roberto Ferreira para o cargo de secretário da Fazenda, fica mais evidente que a intenção do governador não é resolver a questão pelo viés do diálogo.
Para quem foi deputado constitucionalista, esteve no movimento estudantil e lutou tanto pela democracia, como ele gosta de dizer, o governador parece ter mudado muito.
Fragmentos:
1 – O debate entre os candidatos a prefeito de Vitória, que aconteceria na noite dessa segunda-feira (22), na TV Capixaba, afiliada da Band, que é tradicional na abertura dos debates políticos no País, não aconteceu. Mais uma vez, a culpa foi das mudanças nas regras eleitorais.
2 – É que para a realização de debates é preciso que a emissora disponibilize um tradutor de libras, legenda simultânea e áudio com descrição, o que torna o programa mais caro. As mesmas regras valem para os programas eleitorais. Vai ter dinheiro e tecnologia disponível para isso? Os programas começam na sexta-feira (26).
3 – A classe empresarial esperava a palestra do governador Paulo Hartung (PMDB), intitulada “Conjuntura econômica em tempos modernos”, no lançamento de um empreendimento na Capital. Mas quem apareceu foi o vice, Cesar Colnago (PSDB), frustrando os presentes.

