O ex-governador Renato Casagrande (PSB) está sendo obrigado a concordar com a candidatura do prefeito Audifax Barcelos (Rede) – até outro dia no seu partido – por força, sobretudo, das ambições do deputado estadual de seu partido, Bruno Lamas. Um neófito político ainda agarrado às saias da mãe (Márcia Lamas), em busca de fazer trampolim para o seu crescimento político. Lamas se seduziu pela possibilidade em fazer da mãe secretária de Educação de Audifax agora e no futuro. Isso se realmente houver futuro para Audifax: no caso de ele conseguir a reeleição.
Audifax tem, pelo menos a princípio, no seu caminho um poderoso adversário, o deputado federal e ex-prefeito Sérgio Vidiga (PDT)l, que deu ao seu então aliado o primeiro mandato de prefeito. Agora o pedetista tem plenas condições de cobrá-lo na atual disputa que haverá em outubro, na Serra. Tem tudo para provocar lesões políticas em Audifax.
Mas é importante não limitar a disputa aos dois. Levantamentos e pesquisas já dão conta que os rivais Vidial e Audifax já apresentam evidente fadiga de material. O eleitorado serrano já reluta em escolher um dos dois novamente para comandar a cidade. Afinal, a dicotomia Vidigal-Audifax já se arrasta por mais de duas décadas, numa contínua luta entre criador e criatura.
Há novas caras com chance de quebrar a polarização entre os rivais? Diria que se souberem lidar com o fenômeno do enfastio do eleitor com os dois, há. Mas vai depender do ex-deputado estadual Vandinho Leite (PSDB), que vem explorando esse cansaço do eleitor.
Por fora ainda correm o deputado federal petista Givaldo Vieira e a presidente da Câmara de Vereadores, Neidia Pimentel (PSD), que também reivindicam a condição de alternativa à polarização Vidigal-Audifax.
Alinhando o discurso, os três virtuais candidatos podem muito bem fazer um estrago nessa disputa prevista para fechar entre Audifax e Vidigal. Basta que unifiquem o discurso em torno dessa fadiga de material. Difícil? Aparentemente, sim. Contudo, não adotando essa estratégia estarão fatalmente excluídos da disputa. Isoladamente, os chamados “alternativos” não farão estrago suficiente para minar as candidaturas dos dois medalhões da política serrana.
Reservei propositalmente a parte final desse artigo para Renato Casagrande. Pois na Serra, nas últimas eleições para o governo, ele derrotou o rival Paulo Hartung. Será que o socialista vai aceitar o jogo de Audifax com o deputado Lamas na garupa?
Se topar, vai abrir mão de seu prestígio na Serra em proveito do seu principal rival, PH. Pois só um acidente de percurso, como esse da Serra, pode prejudicá-lo no confronto com PH marcado para 2018, com preliminar agora nas municipais deste ano.
Em eleição que tem voto, a movimentação política é obrigatória, especialmente no caso de Renato que, até que apareça outro nome, custo a crer que não surgirá, só ele poderá ainda conter Hartung dos seus desejos de poder.
Para o socialista, ausentar-se agora das eleições da Serra será um tanto quanto desastroso à missão oposicionista que a circunstância política do Estado o destinou. Casagrande precisa entender que não pode ficar de fora de disputas como essa da Serra, em que o socialista se encontra em privilegiada condição eleitoral. O ex-governador não deve atender ambições descabidas do deputado Lamas e do seu ex-aliado Audifax. Ainda mais num cenário em que estarão concorrendo também o seu ex-vice Gilvado Vieira, e o o seu ex-secretário de Esportes e ex-líder de seu governo na Assembleia, Vandinho Leite.
Insistir em ficar de fora da disputa é brincar com o próprio destino político.

