Dólar Comercial: R$ 5,02 • Euro: R$ 6,11
Terça, 26 Janeiro 2021

Deu na Imprensa&Recortes Capixabas

(1)



O sociólogo Marcos Coimbra, presidente do Instituto Vox Populi, observou em artigo publicado no Correio Braziliense, que a campanha presidencial em curso nos Estados Unidos exibe uma linguagem política mais confrontacional e que as campanhas municipais em curso aqui no Brasil, ao contrário, são assépticas e repetem coisas óbvias. Aqui, observa ele, "nossa cultura começou a considerar feio que os candidatos entrem em confronto - a definir qualquer crítica como 'baixaria' " ( Correio Braziliense"Campanha negativa", 12/09/2012).



Coimbra lembra que a nossa tradição política sempre foi de respeito entre os adversários, mas sem deixar de expor com clareza e até contundência as discordâncias e divergências. Mas, aí, observa ele, os marqueteiros brasileiros começaram a defender que "quem bate, perde!". Isto porque as pesquisas mostram que chega a 70% a proporção dos que acham que um candidato não deve criticar os outros, lembra ainda Coimbra.



E aí Marcos Coimbra faz instigantes indagações : "ganhamos alguma coisa com a assepsia de campanhas que apenas repetem coisas óbvias? O lenga-lenga de que o candidato vai cuidar com desvelo da saúde,da segurança e da educação? Em que é melhor a candidatura que elide a polêmica ideológica? Que privilegia a forma televisiva em detrimento do conteúdo político?" . E conclui: "embora se expressem através do estereótipo, no fundo os eleitores não se incomodam com a crítica. As campanhas é que precisam reencontrar a forma de fazê-la" (Correio Braziliense).



No caso de Vitória, por exemplo, estas indagações e reflexões de Marcos Coimbra são muito pertinentes. Depois de um início televisivo que mais parecia um concurso de jingles e um festival de promessas e de auto-retratos da perfeição em vida, as campanhas ensaiam, ainda que errática e timidamente, um caminho para críticas e discordâncias. Bom sinal.



Luciano Rezende começa, em sua campanha, a mudança mais evidente,tentando endurecer o discurso. A sua candidatura estava (está ?) "embicando", como se diz na gíria de campanhas. Talvez os seus marqueteiros tenham percebido que não basta ginguel bonito para ganhar eleições. E que Luciano estava passando a imagem do bom garoto que diz que vai mudar mas não transmite firmeza e confiabilidade sobre que mudança é esta. Talvez tenham percebido que ou ele estabelece a discordância e transmite segurança de que "não é farinha do mesmo saco", ou vai mesmo "embicar". O problema, como assevera Marcos Coimbra, é encontrar a forma correta de fazer a crítica sem "baixar o nível" e ir para o desfiladeiro do desespero.



Já Iriny Lopes, também parece ter percebido que não basta o jingle bonito, o novo "look" pessoal e a defesa do legado de João Coser. Os seus marqueteiros parecem ter acordado. Mas não basta a estória do LP e a comparação entre os oito anos de Coser e os oito anos de Luiz Paulo. A sua campanha não achou ainda uma narrativa afirmativa que possa enfrentar a rejeição e a fadiga de material. Aonde ela avançaria em comparação com Coser e com Luiz Paulo? A sua equipe de governo vai ser de bom nível? Como ela vai conquistar o patamar mínimo de votos tradicionais do próprio PT e avançar na cidadela tucana?



Por último, o próprio Luiz Paulo deve acabar saindo da zona de conforto depois que se esgotar o impacto causado pela entrada quase messiânica de Paulo Hartung em apoio à sua candidatura. E, aí, deverá ter que enfrentar críticas e discordâncias para não apenas defender a sua gestão mas mostrar se ele é melhor do que Iriny e Luciano para governar a cidade.



Também em outras cidades capixabas, como Vila Velha, Cariacica, Viana, Linhares, Cachoeiro e Serra, a discordância e o contraditório poderão superar o lero-lero. No final, de isto ocorrer mesmo, sairá ganhando Sua Excia o eleitor, que está descrente dos políticos.



(2)



Outro recorte capixaba a ser extraído do que deu na imprensa é a matéria do VALOR sobre o processo de ampliação das dívidas dos estados, patrocinado pelo governo federal. Como se sabe, o governo Dilma Rouseff fez uma revisão do chamado Programa de Reestruturação e Ajuste Fiscal (PAF) e chegou a uma ampliação total de endividamento dos estados brasileiros de nada menos do que R$ 58,3 bilhões.



Conforme o ministério da fazenda, "o objetivo é estimular o investimento no país e amenizar os impactos da crise internacional na economia brasileira" ( VALOR, "Fazenda faz acordo com mais 3 estados e ampliação de dívida chega a R$58,3 bi", 12/09/2012). O PAF vai permitir aos estados que fizeram o acordo com o governo federal contrair novos empréstimos.



Pois bem. O Espírito Santo foi contemplado com margem adicional de endividamento de nada menos do que R$ 4,62 bilhões, conforme já amplamente noticiado pela imprensa regional e pela imprensa nacional. E, aí, duas coisas precisam ser enfatizadas e repisadas. A primeira coisa é que o Espírito Santo só ficou atrás de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Bahia no "ranking" dos novos endividamentos. Ou seja, o governo federal cumpriu o que negociou e combinou com o governador Renato Casagrande e com a Bancada Capixaba. Não vale mais , portanto, o chororô provinciano de que o Espírito Santo é discriminado pelo governo federal. Quando o estado trava o bom combate no campo político, como foi o caso, ele pode ter, como teve, sucesso.



A segunda coisa a ser enfatizada é que o governo estadual precisa ter bons projetos para liderar o processo de contratação de novos endividamentos, dentro da ampla margem colocada à disposição do Espírito Santo. Como se sabe, uma contratação de novos projetos de investimento em organismos como o BNDES requer bons projetos e bons negociadores.



A ideia, como se sabe, é a de que estes consideráveis recursos de mais de R$ 4,5 bilhões possam ser usados para novos investimentos em infra-estrutura, mobilidade urbana, inovação e segurança, por exemplo. Para não apenas superar as perdas advindas com a redução do Fundap, mas também ampliar a capacidade logística do estado.



O governador Renato Casagrande lançou um novo programa, o PROEDES, que já foi escrutinizado e pretende ser a referência para a articulação dos novos investimentos. Entretanto, como o "diabo está nos detalhes"'ainda está para ser conhecido pelo distinto público quais serão exatamente os novos projetos e como eles serão tocados e viabilizados pelo governo estadual em parcerias público-público e público-privadas. Ainda há, portanto, um longo caminho a ser percorrido, sob a liderança do governador Renato Casagrande.

Veja mais notícias sobre Colunas.

Veja também:

 

Comentários:

Nenhum comentário feito ainda. Seja o primeiro a enviar um comentário
Visitante
Terça, 26 Janeiro 2021

Ao aceitar, você acessará um serviço fornecido por terceiros externos a https://www.seculodiario.com.br/

No Internet Connection