Quem acha a vida monótona não teve o desprazer de conhecer a Dilda, eleita hoje a personagem principal dessas mal traçadas linhas. Nenhuma referência intencional à Dilma, sua irmã gêmea, pois embora muito parecidas, são gêmeas falsas, quer dizer, ovulares, e cultivam diferenças radicais. E como ambas ignoram minha existência, jamais saberão que divulguei aos ventos virtuais o fato quem foi narrado. Existo, portanto, digito.
Embora o sol tenha nascido para todos, o mesmo não se pode dizer da sombra, ou da Internet. Esse veículo virtual onde laboro dia sim, outros não, ainda é privilégio das minorias. Por enquanto, o sol está ganhando, mas até quando? Dizem os entendidos que, em um hipotético futuro, breve ou a perder de vista, todos estarão interligados linhas virtuais – juntos num só coração e felizes para sempre. Já então não haverá sombra, menos ainda privacidade.
As estatísticas, no entanto, não são tão otimistas, que a vida normal ainda suplanta a virtual. Pois se ainda existem mais de 1.2 bilhão de pessoas no mundo sem acesso à água potável, como sonhar com todos batucando nas teclas de um computador, ainda mais um computador conectado à rede? Hoje qualquer um pode administrar sua conta bancária pela Internet, mas como fazer se não tem dinheiro no banco? Também se pode pagar a conta de luz pelo celular… pena que não tem celular e a luz vem da gambiarra puxada da casa do vizinho. Sem ele saber.
Dilma alardeia aos quatro ventos – serão mesmo quatro? que o atendimento básico à educação e à saúde são direitos de todos, não importa em quem tenham votado. No quesito educação, Dilda não tem nenhuma, e não se sabe se foi por ter frequentado a escola pública ou se a questão é mesmo uma disfunção genética. Pois todos sabem, muita gente com diploma da Harvard ou da USP perdurado na parede também não tem. Dilma informa que cultura e educação não são necessariamente sinônimos, e nem sempre andam de mãos dadas. Gêmeas falsas, tal e qual.
No quesito saúde, Dilda deu mais sorte, e só entrou em hospital uma vez. O que nos leva a fato verídico ocorrido na palestra de um deputado brasileiro aqui em Miami, no ano passado. Perguntado sobre o sistema de saúde pública no Brasil, o eminentíssimo disse que é o melhor do mundo, “Infelizmente não funciona, mas é o melhor do mundo”. Daí se entende porque outros países não está pagando royalties para copiar nosso modelo de saúde pública, o melhor do mundo.
Acho que a plateia não explodiu em lacrimosa gargalhada por ser muito educada. Sorte que não havia nenhum jornalista de plantão para registrar essa pérola do festival de besteiras que continua nos assolando. Dilda ou Dilma também não estavam lá para contestar ou pedir maiores explicações, “Sua Excelência poderia ser mais específico?” E talvez ele realmente tivesse uma explicação lógica, “Seguinte, meu plano de saúde é o melhor do mundo, mas o deles (leia-se povo) não funciona”.
Dilma fez plano de saúde e, sendo muito parecidas, Dilda também o usa. Deu certo até que precisou tirar o apêndice, “Quantos apêndices tem um paciente?” pergunta a enfermeira para o médico cubano de plantão, “Dios mio, cómo los brasileños son estúpidos!” A moça explica que a ficha da paciente informa que o apêndice já foi retirado. “Así vamos extraer la vesicula”. Não existe médico cubano nos planos de saúde? Deve ter, pois se digito, existe.

