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Dinheiro custa caro

O dinheiro de plástico dominou o mundo. Falo dos cartões de crédito, aqui cognominados dinheiro de plástico, usados por dez entre dez americanos para tudo, porque são mais fáceis e mais confiáveis de usar do que dinheiro vivo, aqui cognominados cash. Se você quer comprar alguma coisa com dólares, quem o  atende vai olhar de cara feia, Cash? Deve ter alguma coisa errada com quem não tem ou não quer usar o cartão de crédito.
 
Se quiser pagar com nota de $100, então, prepare-se para ficar meia hora esperando sua notinha ser examinada, investigada, riscada com aquela famigerada caneta detectora de dinheiro falso, antes de desaparecer de suas vistas, no sorvedouro de uma caixa registradora. Só então o recibo da compra desponta feito língua malcriada da registradora.
 
Sem falar na possibilidade de ser simplesmente recusada. Muitos lugares, como postos de gasolina e lojas menores, simplesmente não as aceitam. O aviso já fica exposto em local bem visível. “Não aceitamos notas de cem”. Ou, pior ainda, “Não aceitamos pagamento em dinheiro”. Quem só paga com dinheiro é suspeito de fabricar suas próprias verdinhas ou fazer lavagem de dinheiro.
 
Carro só alugam com cartão de crédito. Ponto final. Abra uma mala de dinheiro no balcão da locadora, e vão apontar para a  plaquinha luminosa pendurada na parede, “Credit cards only”. Por duas simples razões – a financeira cobre se você não pagar e o cartão tem sua identificação, se algo sair errado, podem acrescentar gastos extras ao cartão. Com dinheiro vivo não dá pra fazer nada disto.
 
Cheques são outra complicação. As lojas só os aceitam se você tiver um cartão de crédito, então voltamos ao ponto inicial, como  num círculo vicioso. E toma mais tempo, porque quem o atende tem que anotar  no topo do  cheque o nome e o número do cartão de crédito que você  não vai usar para pagar a compra. Além disto,  anotam ainda o número do seu telefone e da carteira de identidade.
 
Se você tem cheque nem cartão de crédito, Sorry, no business!  Crime duplo. É muita mão de obra. Fica mais fácil e mais simples usar o dinheirinho de plástico, a varinha de condão que abre todas as portas. Atendentes, gerentes e afins sorriem satisfeitos e lhe desejam um Bom dia. Você  sorri também, e sai da loja cheio de bugingangas de que provavelmente não precisa. E todos ficam felizes. 
 
Obter o primeiro cartão, porém, é outro pesadelo. Todas as portas se fecham, suas propostas são recusadas. Antigamente tinha que começar com o plano Layaway – você escolhe a mercadoria e vai pagando em suaves prestações mensais, e só quando acaba de pagar leva o objeto pra casa. Hoje é possível começar com um cartão de débito. É como a novela do primeiro emprego – se não tem experiência não tem emprego, mas como ter experiência se é o primeiro emprego?
 
De uma forma ou de outra esses obstáculos acabam sendo superados e você consegue seu reluzente primeiro cartão, com um limite pequeno, é verdade, mas com seu nome impresso nele. Você se sente finalmente aceito pelo sistema. As primeiras contas você paga sempre com antecedência, e então começam a chover propostas de novos cartões que você nem sabia que existiam. E aí começa o segundo pesadelo – resistir à tentação de tanto crédito.

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