A manobra governamental para driblar a pressão das ruas em relação ao pedágio da Terceira Ponte parece estar feita. Basta ver a sequência de manchetes nos jornais do fim de semana. O governador Renato Casagrande, por parte do Executivo, ressalta o discurso que mostra a união de todas as instituições em torno de um propósito.
Casagrande trás os municípios para dentro do acordo, mostrando que há uma preocupação dos prefeitos com a dívida de R$ 550 milhões que poderia ser contraída com uma eventual quebra de contrato com a Rodosol e deixa claro que vai diminuir o investimento, penalizando todos os municípios com o débito. Uma estratégia de jogar o interior contra a Grande Vitória.
O Judiciário também entra no acordo afirmando que há legalidade no contrato, logo não haveria motivo para quebra. O Ministério Público do Estado (MPES) e o Tribunal de Contas (TCES) ficam com a função de fazer uma auditoria no contrato.
Falta a Assembleia. E ela também entra na dança. A ideia parece ser a de postergar a votação até a próxima semana, quando começa o recesso parlamentar. Quando retornarem do recesso alimentam a expectativa de os ânimos das ruas terem se acalmado. E aí fica tudo como antes, ou talvez, a tarifa até caia uns centavinhos ou a empresa faça uma obra ou outra compensatória, quem sabe a praça do pedágio em Vila Velha.
Esse arranjo institucional, porém, não segue os moldes do que agiu no governo passado, quando havia um rigoroso controle das instituições pelo Executivo, que em contrapartida injetava recursos nos orçamentos dos órgãos, ou privilegiava a base dos aliados, no caso da Assembleia.
Desta vez, a lógica é inversa. São as instituições que vem ao socorro do Executivo para salvar o acordo palaciano. Evidentemente a conta vai ser cobrada depois e pode ficar mais caro do que Casagrande imagina.
Fragmentos:
1 – Como acontece com qualquer movimentação no Espírito Santo, a indústria de boataria está a pleno vapor na questão da ocupação da Assembleia Legislativa.
2 – Em tempo de crise, as férias do secretário de Planejamento Robson Leite foram interrompidas. Leite tem um bom relacionamento com o setor empresarial e pode ser importante na delicada situação em que se encontra o governo.
3 – E por falar nisso, foi inflamada a defesa do governador Renato Casagrande com o setor empresarial. Em tom grave, destacou o risco de uma eventual quebra de contrato. Embora a discussão não preveja a quebra de nenhum contrato.

