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Disputa indefinida

Com o deputado estadual Sergio Majeski (PSDB) ainda numa posição indefinida sobre a disputa de 2018 – não decidiu ainda qual cargo irá disputar e por qual partido -, o processo eleitoral segue dominado por lideranças de perfil mais tradicional. Hoje podemos falar que há apenas duas se movimentando eleitoralmente rumo ao Palácio Anchieta: o governador Paulo Hartung e a senadora Rose de Freitas, ambos do PMDB. 
 
PH ficou mais livre, leve e solto depois que foi remido da Lava Jato. Ele se sente até confortável para escolher seu adversário, como fez em outras disputas. No meu modo de ver, Rose pode ser a candidata “sob medida” para ele, no sentido de PH considerá-la uma mais previsível, justamente pelo perfil tradicional.
 
A movimentação de Rose, porém, começa a atrair outras lideranças que já estão fora há muito tempo ou se distanciando da “bolha” de PH. Estou me referindo, respectivamente, ao ex-governador Renato Casagrande (PSB) e ao senador Magno Malta (PR). São duas lideranças que podem compor chapa com a senadora. Rose encabeçando a disputa ao governo e Casagrande e Magno ao Senado. 
 
Aquele cenário desenhado após a eleição de 2014, com Hartung e Casagrande reeditando uma nova disputa ao governo em 2018, a tal revanche, parece ter ficado para trás já faz algum tempo. É verdade que Casagrande, a exemplo de Rose e PH, também tem se movimentado intensamente pelo interior do Estado, mas não se posiciona na raia que leva ao Palácio Anchieta. 
 
Cada um se movimenta no interior por um motivo diferente. Casagrande precisa reverter o mau resultado que obteve em 2014, perdendo em praticamente todos os municípios fora da Grande Vitória. Rose aposta suas fichas no interior porque historicamente construiu seu capital político com os prefeitos. É assumidamente uma municipalista. Já PH, depois do susto da Lava Jato e da desaprovação do eleitorado da Grande Vitória na eleição de 2014, tem preferido adotar uma estratégia mais cautelosa, aproximando-se do eleitorado aos poucos e pelo interior.
 
Interesses e estratégias à parte, o fato é que o interior, neste momento, é o palco das movimentações políticas preliminares com vistas à disputa de 2018. Se essa chapa encabeçada por Rose, com Magno e Casagrande como candidatos ao Senado vingar, o trio faria frente ao palanque puxado por PH, que pode ter o deputado estadual Amaro Neto (SD) e Ricardo Ferraço (PSDB) na disputa ao Senado. O apresentador de TV, aliás, teria força para rebocar o tucano, que vai precisar de um bom empurrão para se manter mais quatro anos em Brasília. 
 
Essas movimentações de PH e Rose são importantes porque é pela construção da chapa majoritária que se decide uma eleição. Rose sabe disso. É por isso que se mantém receptiva ao diálogo com Magno e Casagrande. O ex-governador também traria para o palanque o apoio do prefeito de Vitória Luciano Rezende (PPS), que iria engrossar o palanque pensando nele mesmo. 
 
Luciano precisa neutralizar o crescimento de Amaro. O deputado já deixou claro que seu desejo é se tornar prefeito de Vitória. Depois de ter perdido a eleição de 2016 por quatro mil votos, Amaro usaria o Senado como vitrine e tornaria a disputar a prefeitura em 2020. Uma ameaça real ao projeto de Luciano de eleger o vereador Fabrício Gandini prefeito e manter o controle político da Capital no seu grupo.
 
Apesar de o cenário nesse momento apontar para uma polarização entre PH e Rose, não quer dizer que o campo já está fechado ou que não absorve outras candidaturas. Está tudo indefinido. Há um crescimento da massa de eleitores que descarta as lideranças tradicionais. Esse eleitorado, cansado do “mais do mesmo”, aguarda o surgimento de uma terceira via no cenário. 
 
Chamei a atenção no começo deste artigo sobre o fato de Majeski ainda não ter se decidido sobre a disputa. É exatamente nessa via alternativa à tradicional que o perfil dele se encaixaria. Ele poderia disputar tanto o Senado como o governo. Mas acho difícil que isso aconteça dentro do PSDB. Hoje quem mais o assedia é o prefeito Audifax Barcelos, tentando levá-lo para a Rede. Caso Majeski migre para a Rede, garante o palanque ideal no Estado para a presidenciável Marina Silva, ao mesmo tempo que tira a pressão de cima de Audifax, que fica desobrigado de puxar um palanque para Marina no Espírito Santo.
 
Ainda nesse segmento alternativo, também não descarto uma eventual candidatura do deputado federal Helder Salomão. Um dos poucos petistas que mantém seu capital de votos intacto independentemente da imagem do partido. É claro que para Helder entrar numa disputa ao Senado ou mesmo ao governo vai depender de uma conjuntura favorável. E a isso estão vinculadas uma série de variáveis como, por exemplo, saber quem será o candidato do PT a presidente. Se não houver condições favoráveis a um projeto majoritário, Helder não vai querer trocar uma reeleição praticamente certa à Câmara por uma “aventura”.
 
Todas essas perspectivas deixam o cenário completamente indefinido. As disputas ao governo e ao Senado estão abertas.

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