Nesta sexta-feira (6) faz uma semana que um grupo de ciclistas atravessou a Terceira Ponte em protesto à política de mobilidade urbana do governo do Estado, que privilegia os veículos motorizados em detrimento das bikes e dos pedestres.
A Bicicletada Vitória reivindicou uma ciclovia na ponte que liga Vitória a Vila Velha. Eles querem ter apenas o direito de pedalar pelo trajeto mais curto: a Terceira Ponte.
Durante o protesto, os manifestantes entoavam palavras de ordem pedindo mais espaço para as bicicletas. Uma frase, em especial, ilustrava o “apartheid urbano” entre carros e bikes: “Terceira Ponte, o ‘Muro de Berlim’ dos capixabas”.
A frase serviu de inspiração para a bike-repórter da ESPN Brasil, Renata Falzoni, dar título ao artigo que registrou o protesto dos ciclistas capixabas no último dia 30.
A jornalista destacou que a maior obra viária da Grande Vitória, a Terceira Ponte, prioriza os veículos motorizados, deixando pedestres e ciclistas de fora.
Falzoni repercutiu a principal queixa dos cicloativistas capixabas, que são obrigados a fazer um percurso de quase 18 km, sendo que a travessia Vitória-Vila Velha via Terceira Ponte encurtaria o trajeto em menos de 4 km.
O protesto, reprimido pela polícia – que insistia que a ponte proíbe o tráfego de bicicletas e pedestres -, deixou patente quais são prioridades das políticas de mobilidade urbana do governo do Estado.
Os manifestantes ressaltaram que a proposta de criação da terceira faixa na ponte deveria atender a pedestres e ciclistas, mas o projeto está sendo desenhado para aumentar a vazão de veículos motorizados, sobretudo os individuais.
A bicicletada trouxe à tona uma discussão bastante pertinente, no momento em que o poder público está prestes a implantar projetos viários que prometem mudar, para melhor, a vida das mais de 1,6 milhão de pessoas que circulam todos os dias na região metropolitana da Grande Vitória.
Na prática, porém, os cicloativstas deixam a dúvida se essas mudanças viárias vão de fato melhorar a qualidade de vida da população. Eles mostram que os projetos de mobilidade ainda tratam a bicicleta – um meio de transporte saudável para o usuário e ambientalmente benéfico para o planeta – como um modal de segunda categoria. Na ditadura do asfalto, a soberania ainda é do carro.

