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Diversidade e direitos humanos

 

A humanidade é constituída de uma múltipla e complexa diversidade que nos enriquece na convivência, no reconhecimento, no aprendizado, na valorização e no respeito a essas diferentes diferenças.

As diferentes diferenças podem ser de gênero, raça, etnia, nacionalidade, cultura, língua, religião, orientação sexual, geracional,física e psíquica. Nas suas especificidades,em hipóteses alguma pode significar a aceitação das desigualdades, dos privilégios e dos preconceitos.

Dentro de cada grupo ou camada social existem infinitas diferenças, pois cada indivíduo é único, portanto universal. Assim somos iguais e diferentes. Os direitos humanos não são constituídos de uma só vez, nem de uma vez por toda. É uma construção permanente de avanços, arranjos e, às vezes, retrocessos. Assim o aprendizado, o reconhecimento e a valorização das diferenças é um exercício necessário para a vida pessoal e comunitária.

O desenvolvimento e a construção dos direitos humanos não se dão de maneira linear e continuada, sujeito a retrocessos. Em tempos de crises econômicas, com frequência,cresce a xenofobia, o ódio e a intolerância contra estrangeiros e grupos minoritários. Na Europa a xenofobia tem crescido contra árabes, africanos, ciganos e mesmo europeus, proveniente da Europa oriental, refugiados de várias partes do mundo.

Mesmo no Brasil, que é constituído por um povo novo, em formação, que vem recebendo gente de muitas nacionalidades de todos os continentes, existe manifestação de xenofobia, atiçados por motivações politicas ou mesmo profissionais com vimos recentemente contra médicos e médicas cubanas ou, por vezes, contra haitianos, bolivianos paraguaios.

Na África do Sul, manifestações de intolerância e de xenofobia contra trabalhadores negros de outros países da África. Nos EUA tem havido grandes manifestações contra o racismo e a violência policial que atinge a população negra.

Adolf Hitler pretendia a extinção dos judeus e dos ciganos, embora considerasse também os outros povos como raças inferiores. Também queria a eliminação dos homossexuais e das pessoas com deficiência, além dos comunistas e das Testemunhas de Jeová.

O ódio, o preconceito e a intolerância são construções e tem sempre múltiplas motivações, que às vezes estão ocultas:seja ela política; ideológica; econômica ou religiosa. Nelson Mandella,afirmava que “ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor da sua pele, religião, raça, sexo, nacionalidade ou língua”. Para isto precisam aprender, e se podem aprender odiar, podem aprender a ser solidário, amar e respeitar as diferentes diferenças.

As instituições públicas devem trabalhar intensamente no sentido de lidar corretamente com as diferentes diferenças, tanto com seu quadro profissional quanto na relação com a sociedade e com outras instituições. As cotas raciais nas escolas, nas universidades e nos concursos públicos, para afrodescendentes e indígenas, certamente terão algum tipo de resistência, mas a presença de negros e índios frequentando os mesmo espaços contribui para que a nossa sociedade, possa entender que não está na cor da pele a capacidade para a criação material e espiritual.

Para isto precisamos mais do que politicas públicas, precisamos de uma grande e radical mudança cultural, criando as condições na sociedade para conviver, respeitar e valorizaras diferentes diferenças.

Na Bolívia e no Equador, a presença indígena e de gênero, em especial das mulheres camponesas, no parlamento e nos executivos foi e é uma conquista importante, resultou da luta por direitos que assegurassem espaços a todos, corrigindo as desigualdades raciais, de gênero e sociais.

Os avanços nas lutas por direitos humanos são frutos de conquistas e precisam ser defendidas sempre. Hoje no Brasil muitos perigos rondam e ameaçam essas conquistas. Na Câmara dos Deputados, a luta pelo fim do trabalho escravo sofreu um revés, a aprovação da redução da maioridade penal seria um grande retrocesso. Sem falar das terras indígenas ameaçadas pela bancada conservadora.

Exigir ser tratado com igualdade, quando a diferença inferioriza e tratado de maneira diferente, quando a igualdade anula. É um grande desafio para realização de politicas publicas e para a convivência na sociedade.

As comunidades tradicionais dentre elas os Indígenas, os pomeranos, os ciganos, os quilombolas e as comunidades de terreiros têm identidades próprias e exigem um atendimento diferenciado.

Os desafios são muitos. Fazemos parte desta grande construção de sonhos, que envolverá cada vez mais intensamente a participação, enquanto indivíduos e membros da coletividade humana na aventura de viver plenamente livre de todas as grades visíveis ou não.


Rede Capixaba de Direitos Humanos

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