Muito se deve falar em defesa do Estado Laico e da visão religiosa de cada um. Mas buscando finalizar nossa breve consideração sobre o assunto, vale ressaltar o cuidado necessário em não privilegiar essa ou aquela instituição, principalmente em nome de uma crença, que por mais que seja numerosa em adeptos, pertence ao imaginário de cada um.
A relevância está na isenção de impostos que as igrejas têm. Uma prerrogativa injustificável, já que são arrecadadoras de receitas não declaradas, facilmente usadas para lavagem e desvios fraudulentos.
Esse tipo de distinção instiga o crime, facilitando a coação financeira e invertendo valores da própria religião. Haja vista o caso da evasão de divisas na Igreja Maranata aqui no Espírito Santo. Esse é mais um tópico em que cabe o debate, e deve ser analisado a luz do direito. – Será correto enriquecer a custa da fé ingênua de outra pessoa, desprovida de senso critico? – Não seria isso, em todos os seus nuances, estelionato? – Como controlar uma receita cuja contabilidade é obscura e sem auditoria?
São muitas as interrogações que implica numa maior fiscalização do estado. Numa prestação de contas severa e constante. O governo tem de ter mecanismos de fiscalizações dessas chamadas doações voluntárias, que a cada dia se tornam mais automáticas e compulsórias.
Envoltos no transe imposto pelos cultos histéricos, ovelhas se entregam a lobos, e acreditando em promessas mirabolantes, se fascinam na ambição e tiram de seu próprio sustendo, para alimentar a insaciável fome de riqueza desses prósperos empresários de deus.
E falar o que? Regular como? Com as facilidades do privilégio que isenta do fisco, a impunidade prospera na teologia do 171. – E já vai longe a máxima “A Cesar o que é de Cesar e a Deus o que é de deus” 22.20. Assim chegamos mais uma vez ao impasse legal, se o Brasil é um Estado Laico, e se todos são iguais perante as leis, qual a razão de tal isenção? Caridade?
Símbolos de dominação religiosa em repartições públicas, educação tendenciosas a dogmas, disseminação do preconceito e da intolerância, oportunismo e demagogia de falsos porta vozes divinos, apropriação de bens alheios em troca de indulgências, falta de fiscalização em crimes de lesa pátria, opressão a minorias e facilitação da impunidade por omissão legislativa, etc, etc, etc. Até onde vamos chegar com a nossa falsa laicidade constitucional?
Como disse o poeta: “Levantai-vos heróis do novo mundo…” Chegou a hora de frearmos esse desrespeito, de construirmos a cidadania plena onde religião seja um caminho para a libertação e não para a dominação.
Luiz Felipe Rocha da Palma (Phil Palma) é publicitário. Nas “horas vagas” (às quartas) comanda o programa “Praia do Phil” pela Rádio Universitária FM, onde defende os LGBTs e denuncia a homofobia. Fale com o autor: [email protected]

