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Diversidade religiosa III

Continuando a nossa reflexão sobre a laicidade do estado, num país de incontáveis identidades religiosas, chegamos ao ponto educação, processo formador de caráter e que forja cidadãos. A educação, principal fonte de inclusão e de transformação social, de onde se espera o fortalecimento da democracia verdadeira, do respeito aos direitos humanos e da natural tolerância a diversidade, representada na individualidade de cada um.

 

Numa rápida visão do processo educativo, é evidente a necessidade de se observar regras, normas de civilidade e condutas. O conhecimento da Constituição Federal deve ser pautado em todas as etapas escolares, num processo coerente com cada idade.  Junto a isso a construção de uma verdadeira moral, baseada na percepção de que cada um se revela único e que todos merecem respeito e serem tratados com dignidade. 

 

É claro que esse é um processo difícil e que nunca estará acabado, precisando ser aperfeiçoado a todo o momento, afinal estamos falando da formação do ser humano buscando o equilíbrio num revolto mar de egos. É nesse momento que se toca num ponto delicado: o ensino religioso nas escolas, principalmente falando de escolas públicas que abraçam um grande número de jovens, provenientes dos mais diversos núcleos familiares e muitas vezes sem a base necessária para o convívio social da sala de aula.

 

Num estado laico por excelência, esse estudo não pode privilegiar nenhum credo, ficando restrito apenas à história das religiões, no seu processo evolutivo e nada dogmático, levando em conta religiões do passado e projetando o futuro em claras análises cientificas, fomentando o debate e a pesquisa, abolindo qualquer dominação do tipo “donos da verdade”, por exemplo.
Esse seria o caminho mais inteligente.  Nada de fé cega, ao contrário, expandindo os horizontes, quebramos preconceitos e estigmas, construímos uma cultura crítica e sólida, nós nos humanizamos, na mesma proporção em que buscamos respostas verdadeiras a questões divinizadas.

 

A própria descrença se torna uma opção, e a verdadeira construção das mentes responde as análises com opções individualizadas, e não pré fabricadas com charadas construídas na mitificação do divino.

 

Falar de religião não é falar de política, precisamos delimitar claramente uma da outra. Juntas conspiram para teocracia, e estamos horrorizados cada vez mais, com o que acontece em regiões do oriente médio. A divinização do poder coíbe o avanço democrático e transforma oportunistas em porta vozes de deus, impondo sua fé em claras atitudes inquisitoriais.
O estado tem que tomar muito cuidado com esse golpe que fere o direito de cada cidadão e que começa na sala de aula, se projeta na dominação de jovens e implode as urnas eleitorais, reinventando “verdades”, criando legiões de acéfalos. Sem querer me repetir, mas frisando o perigo, cuidado com manifestações religiosas nas nossas escolas.


Luiz Felipe Rocha da Palma (Phil Palma) é publicitário. Nas “horas vagas” (às quartas) comanda o programa “Praia do Phil” pela Rádio Universitária FM, onde defende os LGBTs e denuncia a homofobia. Fale com o autor: [email protected]

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