As composições dos últimos dias, antes do registro das candidaturas majoritárias e das chapas proporcionais, se revelaram um processo de acomodação muito disputado devido à conjuntura causada pela divisão da unanimidade. Pelas contas colocadas na mesa, o governador Renato Casagrande e seu antecessor Paulo Hartung (PMDB) devem dividir a bancada federal. Cada um dos candidatos deve eleger pouco mais de um terço da Assembleia, tornando o jogo bem equilibrado.
Mas é preciso observar o comportamento dos parlamentares capixabas para entender que, no futuro, independentemente de quem leve o pleito, a coisa não será bem assim. Uma base forte ou uma oposição barulhenta afeta o desempenho do legislativo, mas acreditar que eleitos em outro palanque, os deputados estaduais ameacem a governabilidade do próximo governador, é demais.
Hartung e Casagrande têm maneiras diferentes de lidar com a classe política. O primeiro governou oito anos com mão de ferro, um arranjo institucional e político manteve os partidos e as lideranças na rédea curta. Já Casagrande estabeleceu um diálogo horizontal, mas surdo. Os parlamentares e as lideranças não conseguiram contrapartidas necessárias para o atendimento de suas bases. E isso pesa.
Quem ganhar a eleição ao governo, porém, imporá seu jeito de governar sobre os parlamentares, sobretudo, no legislativo estadual. As lideranças que hoje estão divididas se reunirão após a eleição, formando uma nova unanimidade ou retomando-a.
A disputa hoje é pelo controle, pelo poder, e ganha o foco das articulações e do interesse político do Estado. Tudo que está em volta, seja nos cargos majoritários, nas disputas proporcionais e nos financiadores de campanha, se reagrupa depois da eleição, tendo como centro o novo operador do sistema. É claro que a regra não vale para o candidato em si. Quem perder, vai querer revanche em 2018.
Fragmentos:
1 – Os primeiros dias após o registro das chapas é de acertos de última hora, estudo do adversário e preparação do material de campanha. Logo, logo a campanha engrena e o clima esquenta. Deve pegar fogo, porém, em agosto, quando começa a propaganda no rádio e na TV.
2 – Foram dias de muita conversa para o fechamento das proporcionais mas, no geral, as acomodações deixaram as chapas competitivas. Evidentemente, não haverá espaço para todo mundo, mas a distribuição dos candidatos agradou a maioria.
3 – Theodorico Ferraço (DEM) vai mesmo disputar a reeleição para a Assembleia. Como será uma nova legislatura, poderá novamente disputar a presidência da Mesa Diretora.

