Sancionada em julho passado, a Reforma Trabalhista passa a vigorar a partir de novembro próximo. A coluna chama atenção para um ponto dessa reforma que de vantagem pode se tornar uma dor de cabeça para a classe empresarial. Na década de 1980, o Movimento Sindical chegou a tomar como bandeira de luta a negociação, que acabou sendo contemplada nessa reforma.
A ideia do empresariado foi a de tirar das mãos da Justiça normativa a negociação, que muitas vezes era prejudicial a eles e beneficiava o trabalhador. Pensam que, uma vez eliminando essa parte, vão poder extrapolar os limites, fazendo o que quiserem na hora de negociar a data base.
Aí é que entra o movimento sindical. É hora de transformar o limão em limonada. É hora de fortalecer seu poder de mobilização, e sentar na mesa de negociação com força política para cobrar as garantias da classe trabalhadora. É hora de retomar as comissões de negociações, colocando o trabalhador na mesa ao lado do patrão, porque aí a coisa muda.
A partir do próximo mês também começam as negociações coletivas de várias categorias. Vai ser um bom exercício para essa nova dinâmica. É hora de ver se os sindicatos, depois de tantos anos perdidos em batalhas internas pela perpetuação de poder, vão ter condições de se colocar como representantes mesmo da classe trabalhadora, negociando de igual para igual com o empregador.
Poder de fogo para isso, o sindicato tem, ou teria. A capacidade de mobilizar, de paralisar atividades, de fazer greve. O empresariado tem como arma a demissão, mas o sindicato tem se que manter firme, afinal, sem trabalhador, não tem como produzir.
Agora é hora de o sindicato mostrar força, união e comprometimento com as garantias dos direitos dos trabalhadores. É hora de negociar e mostrar que tem força na base.
Segura, peão!

