O Judiciário definiu seu próprio salário, no entanto, a área tem sindicato. Nesse sentido, o movimento sindical, principalmente das categorias de saúde e educação e da iniciativa privada, têm que se conscientizar que não dá para começar uma campanha salarial e depois deixar tudo na mão do Judiciário, que no caso das demais categorias, nunca passa do índice da inflação do período.
Os três poderes têm a prática de definir seus salários e não dependerem de ninguém para isso. Nem mesmo as críticas da opinião pública inibem os reajustes. Isso abre uma lacuna para que os trabalhadores passem a pensar em ações que sugerem a insurreição contra a lei, já que esta está sendo colocada em termos de dois pesos e duas medidas.
Quando se trata de reajuste dos trabalhadores, os reajustes são sempre muito chorados, quando acontecem. Isso sem falar nas greves, que geralmente são julgadas como ilegais e acarretam em multas estratosféricas para os sindicatos. E estamos falando em índices muito menores. Quanto aos reajustes do Executivo, do Legislativo e do Judiciário, nada acontece.
Essa disparidade é o motivo da falta de credibilidade, principalmente, do Legislativo e do Judiciário. A crise só serve para cortar do lado do trabalhador comum. Já os parlamentares e magistrados se acham acima da lei, que eles mesmos criam e executam.
Não pode ser assim. O trabalhador comum é que faz a economia girar, que justifica a cobrança dos impostos, que no final das contas é o que paga os vencimentos dos três poderes. Por isso, nada mais justo que quem está pagando seja consultado sobre esses reajustes ou que pelo menos se use os mesmos critérios para balizar os índices.
Cabe também ao movimento sindical lutar contra essa disparidade. A luta pela isonomia não deve ficar restrita apenas entre as categorias dos trabalhadores. É preciso que ela extrapole a luta da base e também passe a cobrar mais rigor com o que acontece lá em cima. O movimento não pode ver essa farra com o dinheiro público de braços cruzados.
Isonomia já!

