Tem coisas na vida que todo mundo sabe – ou quase todo mundo – mas prefere fingir que nunca ouviu falar. Por exemplo, a crueldade com que são tratados os animais que vão parar na nossa mesa. Mas como alimentar uma população de 7.300 bilhões de esfomeados – 8 bi em 2024! Até o momento em que rabisco essa coluna, hoje já nasceram 210 mil e morreram 88 mil. Quando você me der o prazer de lê-la, serão muitos mais. Isso significa que estamos nascendo mais e morrendo menos, graças aos avanços, etc. etc.
Dos que morrem Deus cuida, mas dos que nascem cuidamos nós – pais, departamentos de saúde, agricultura, e também produtores de alimentos, fazendeiros, distribuidores, transportadores. Mesmo sabendo que 1/3 da população mundial passa fome, os restantes 2/3 consomem demais, e muito poucos querem aderir a uma dieta verde. Menos ainda acreditam que não comer carne seria mais saudável para o organismo e o meio ambiente.
Minha nora está no interior do Amazonas com um grupo de médicos americanos – ela a única brasileira. E a turma reclama porque só tem peixe no cardápio – Cadê o famoso churrasco brasileiro? Entre os preferidos dos adeptos de um suculento churrasco está o porco, coitado. Para nos propiciar aquela carne macia, eles vivem confinados em gaiolas individuais por até dois anos e meio – onde vegetam sem ter como se mover. Vivendo quase imóveis, o ossos e os músculos deterioram.
Já o famoso leitão assado morre cedo – aos oito meses o porquinho é eletrocutado ou leva um tiro na cabeça. Se não morrer imediatamente, é afogado em água fervente. Já os pintinhos amarelinhos, tão pequenininhos, se não põem ovos não têm melhor sorte – são jogados vivos em trituradoras e viram ração para o sexo feminino. Essa é a única situação em que a ala feminina leva vantagem. Mas o privilégio dura pouco, pois as frangas vivem confinadas em gaiolas tão pequenas que também não podem se mexer.
Tem coisas ainda piores acontecendo nas fazendas de maltrato e assassinato dos animais que vão parar na nossa mesa, mas vamos ficar por aqui. Afinal, a coluna do fim de semana deve ser mais leve e otimista. A boa notícia é que cada vez mais pessoas estão aderindo à dieta vegetariana e vegan. De acordo com um estudo recente, de cada sete estudantes universitários americanos, um não come carne, o que se traduz em 3 milhões. É pouco, mas vai aumentando.
Os porcos são mais inteligentes que gatos e cachorros, e são também muito apreciados como animais de estimação aqui nos States. E tem a história da Emily, uma porquinha da Pensilvânia que conseguiu sair de sua cela. – é raro, mas acontece. Ao invés de fugir, ela saiu abrindo as celas dos outros companheiros de tragédia. E isso acontece com frequência – se um porco escapa, ajuda os outros a escaparem também.
Os pintinhos amarelinhos, quando têm a sorte de viver, são também inteligentes. Estudos mostram que eles são capazes de contar até dez, têm senso de tempo, e podem antecipar eventos futuros: recusam uma recompensa pequena quando sabem que depois vão receber algo melhor. Não estou advogando o fim do churrasco, apenas informando: para cada pessoa que decide não comer carne, 21 frangos, um peru, um porco e uma vaca serão salvos a cada ano – dados dos Estados Unidos. Se um brasuca parar de comer carne, o impacto será bem menor, não?

