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Terça, 01 Dezembro 2020

Donati desafia Sócrates, e perde

Desde os tempos da Grécia Antiga, as praças de Atenas, chamadas de ágoras, eram usadas como ponto de encontros das cabeças pensantes da época. Estamos falando de mais de 400 anos a. C.. Um bocadinho de tempo, não é verdade?

Um dos frequentadores assíduos das ágoras era o filósofo ateniense Sócrates, que costumava se reunir com amigos para filosofar sobre os mais variáveis temas da existência humana. Tudo em plena praça, pois só ela podia aliar exuberância e ar fresco. 
 
Das ágoras atenienses aos dias atuais, o espaço público para o convívio coletivo, que recebeu o nome de praça, vem perdendo a importância para sociedade moderna. As poucas que ainda resistem nas grandes cidades são quase sempre malcuidadas e não têm mais aquele charme convidativo de outrora, com direito a coreto, jardins e tudo mais. Outras, ainda mais deterioradas, em tempos de epidemia de crack, viraram refúgio de “zumbis” que procuram um nicho para consumir a droga às escondidas. 
 
Apesar do cenário desalentador, algumas cidades ainda se orgulham de suas praças e fazem de tudo para preservá-las. É o caso dos moradores de Conceição da Barra, que lutam para preservar a Praça Central do balneário mais ao norte do Estado, quase na divisa com a Bahia. 
 
Os moradores lutavam para que o prefeito Jorge Donati não transformasse a praça em estacionamento para automóveis. Isso mesmo, o prefeito tucano queria tirar as pessoas do espaço público de convívio para dar lugar aos carros, inclusive ao dele, pois o estacionamento atenderia à prefeitura. 
 
Mas o que parecia improvável, para a alegria dos barrenses, aconteceu. A iniciativa do prefeito em destruir a praça começou a ser brecada por palavras. Não quaisquer palavras. 
 
O escritor e historiador Maciel de Aguiar, que é da vizinha São Mateus, ao saber da patuscada que o prefeito armava, resolveu pôr a ponta da pena para funcionar. Escreveu uma crônica para tentar dissuadir o prefeito da descabida ideia (clique aqui, e leia a crônica). 
 
O prefeito mesmo, não deve nem ter lido a crônica, pelo menos não se rendeu ao clemente pedido de socorro do escritor para salvar a praça. Mas as lideranças dos movimentos culturais barrenses leram. O texto sacudiu os militantes que se mobilizaram em torno do movimento de salvar a praça. 
 
Na tarde desta quinta-feira (2), a comissão de moradores que vinha se articulando para defender o tombamento da praça, recebeu a notícia do Conselho Estadual de Cultura (CEC) que a praça não corre mais perigo.
 
A Secretaria de Estado da Cultura (Secult) se rendeu aos apelos da comissão e decretou o tombamento da praça. Melhor ainda, a Secult aproveitou o embalo e tombou também a igreja e os casarios que ficam no entorno do espaço público. O casarão da Bugia também entrou no pacote de tombamento.
 
Se Sócrates vivesse entre os barrenses, estaria indo agora mesmo para a praça festejar o tombamento. Se tivesse o infortúnio de encontrar Donati pela frente, não pensaria duas vezes para lhe mandar uma de suas célebres frases: “O homem faz o mal, porque não sabe o que é o bem”. 

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