O senador Ricardo Ferraço (sem partido) vinha falando em deixar o PMDB desde o ano passado. Sua aproximação com Aécio Neves, do PSDB, se intensificou em janeiro de 2015, quando o capixaba ensaiou uma candidatura à presidência do Senado e percebeu que havia muito cacique pra pouco índio no partido.
Desde então, o mercado político dava como certa a ida de Ricardo Ferraço para o ninho tucano. Mas com o passar dos meses, a conversa foi esfriando e Ricardo deixou para anunciar sua saída do PMDB agora em janeiro. É verdade que não há pressa para que o senador escolha sua nova sigla. Afinal, estará no pleito eleitoral apenas em 2018, mas a expectativa era de que sua filiação ao PSDB fosse imediata, já acertada com as instâncias do partido.
Mas as declarações controversas vindas do ninho tucano capixaba, sobre a participação de Ricardo Ferraço na eleição de Vitória, e o espaço dado para que o PPS o colocasse no palanque de Luciano Rezende mostraram que as conversas não passaram pelas instâncias estaduais. E o fato de ele ainda não ter conversado com Aécio Neves também mostra que o senador está refletindo qual será o melhor caminho.
E como está refletindo, permite leituras mais amplas do que o campo compreendido entre o PSDB e o PPS. Não custa lembrar que Ricardo Ferraço teve conversas Renato Casagrande em 2014, aliás, quando impedido de disputar o governo pelo PMDB, que reservou o espaço para Hartung, Ricardo passou a defender a reeleição do socialista.
Olhando para um cenário nacional, qual a expectativa de Ricardo Ferraço em deixar um partido cheio de caciques como o PMDB, para ingressar em outro com o mesmo problema, caso do PSDB. O PPS nacional não manifestou ainda nenhum interesse no senador, mas também não colocaria nenhum impedimento à sua filiação.
Mas deixando de lado as idiossincrasias do Estado – afinal, Ricardo Ferraço não demonstra nenhum interesse em ir para um confronto com Paulo Hartung, pelo menos por hora –, por que não o PSB? O partido tem seguido a linha que o senador escolheu, se posicionando contra o governo Dilma no campo nacional. Ricardo teria espaço de sobra para se movimentar como uma oposição, num partido menos congestionado e carente de lideranças nacionais para fortalecer o projeto de poder. Sem falar na facilidade que Ricardo teria para construir sua candidatura à reeleição ao Senado sem se preocupar com possíveis rasteiras no palanque. Tudo vai depender das conversas e dos interesses tanto de Ricardo Ferraço quanto de Renato Casagrande para o Espírito Santo e para o cenário nacional.
Fragmentos:
1 – Mais um na lista de vices insatisfeitos com seus parceiros de chapa. Agora é Anderson Guidetti (PTB), vice-prefeito de Aracruz que anunciou o rompimento com o prefeito Marcelo Coelho (PDT).
2 – Essa guerra de vices com titulares já deu muito o que falar em Itapemirim, Marataízes, Vargem Alta, Colatina, Linhares, Vila Velha, entre outros. Isso reforça a ideia de que a composição das chapas esse ano não será uma tarefa fácil.
3 – No último domingo (17), o blog de Ancelmo Gois, do jornal O Globo, dava como certa a saída de Paulo Hartung do PMDB, seguindo os passos de Ricardo Ferraço. Será? Não parece.

