Quando se pergunta ao cidadão capixaba quais os principais problemas do Estado, as respostas seguem uma linha bem parecida sempre: saúde, segurança e educação. Desses pontos, os que mais incomodam a população é a segurança. Mas todos são pontos prioritários e dever do Estado. Na disputa eleitoral, os temas são sempre alvos das promessas dos candidatos, mas nesta eleição, a educação se tornou a arena na qual se digladiam os principais concorrentes.
No entanto, é preciso observar com cuidado como o tema é tratado. O discurso é raso, mesmo vindo daqueles que se dizem estudiosos do tema. É raso porque cai na mesma armadilha do imediatismo, das fórmulas mágicas que vão trazer a solução pronta e com resultados imediatos.
A partir da década de 1990, com uma reforma educacional muito questionável no Brasil, a ideia de educação como porta de entrada para o mercado de trabalho se espalhou e hoje o que mais se ouve é que é preciso investir na educação como forma de criar oportunidades de trabalho e geração de renda.
Partindo desse tipo de pensamento, observa-se um erro. A educação não deve ser apenas o instrumento de formação de mão de obra especializada, de profissionais de excelência no mercado ou de técnicos em condições de atender as necessidades das empresas. A educação deve ser a ponte do indivíduo com o conhecimento.
De que adianta falar em tempo integral para o ensino médio, se grande parte deles têm de trabalhar para ajudar a família? De que adianta falar em justiça social, cobrando conteúdos pasteurizados, se os estudantes têm realidades diferentes, que geram conhecimentos diferentes? De que adianta abarrotar as bibliotecas de livros – alguns de questionável qualidade literária –, se os estudantes não conseguem entender um enunciado de texto?
Assim como a segurança e a saúde, a educação é um tema complexo, que não se resolve só com tecnologia. É necessário conhecer a realidade dos alunos, valorizar o professor e repensar a proposta pedagógica desde a entrada do aluno no sistema educacional. Da creche ao ensino superior, e isso não depende só do governador ou do deputado ou do prefeito.
Ver um assunto tão sério como esse sendo usado como moeda no jogo eleitoral é triste e lamentável.

