Mesmo fazendo de conta que não liga, o governo do Estado tomou algumas medidas importantes para evitar dores de cabeça com a Assembleia Legislativa. Depois de cruzar os braços e ameaçar um movimento paredista para tirar Gildevan Fernandes (PMDB) da liderança do governo, os deputados mostraram força quando unidos, mas não era isso que incomodava o governador.
Em meio à crise da segurança, a possibilidade de uma frente parlamentar de oposição causou surpresa no Palácio Anchieta. Mas algumas coisas aconteceram para consolidar uma coisa que a classe política já suspeitava: o grupo não vingaria. Isso porque um de seus principais pilares foi atingido quando levantava voo.
A delação envolvendo o senador Ricardo Ferraço (PSDB) atingiu o deputado estadual Theodorico Ferraço (DEM). Mesmo não tendo nada a ver com a história, afinal, é mais que conhecido que os dois tem caminhos políticos bem diferentes. Mas não deixa de desgastar a imagem e tirar o brilho de quem poderia emprestar a experiência e a boa oratória ao grupo.
A acomodação do deputado Bruno Lamas (PSB) na Comissão de Justiça da Assembleia, ainda que na suplência, também atinge os elos frágeis do grupo. Sozinho na bancada, Freitas não teria a musculatura suficiente para grandes ameaças, embora o deputado ainda tente manter o discurso crítico ao governo. Bruno Lamas já mergulhou.
No PDT, os deputados Euclério Sampaio e Josias da Vitória seguem críticos. O primeiro mais que segundo, mas a escolha de Rodrigo Coelho para a liderança do partido coloca um elefante na sala do PDT. Como os deputados vão continuar desalinhados dentro do partido do líder? A menos que busquem outra casa para se abrigar, mas deixar um dos melhores partidos do Estado para articular alianças partidárias, não parece ser uma boa ideia neste momento.
Fora isso, resta ao deputado Sérgio Majeski (PSDB), que desde o início de seu mandato vem mantendo a coerência e incomodando muito o governo. Ele nunca precisou de um grupo para fazer os apontamentos que julgava necessário em relação ao governo, e vai continuar fazendo isso, mesmo isolado.
Fragmentos:
1 – Há quem diga que o melhor nome no grupo do deputado federal Givaldo Vieira para a disputa pela presidência do PT estadual era seu colega de bancada, Helder Salomão, por ser mais maleável para negociar em um momento que o partido segue dividido.
2 – Segundo a Constituição, a idade mínima para a disputa ao governo é de 30 anos. Idade, o presidente da Assembleia, Erick Musso, tem, mas ele ainda tem uma fila longa de lideranças políticas à sua frente para a disputa ao Palácio Anchieta.
3 – Se o plano do deputado federal Paulo Foletto era sair do PSB por descumprir a resolução de votar contra as reformas trabalhistas e previdenciárias, deu errado. Até porque metade da bancada não seguiu a orientação e não seria negócio para o partido expulsar todo mundo.

