No auge dos protestos em todo o país, os jornais deram destaque para a queda de 30 pontos na aprovação da presidente Dilma Rousseff, segundo pesquisa do Instituto DataFolha. Evidentemente, como está à frente do governo o desgaste da presidente deveria mesmo ser mais acentuado. Dilma que até o final de maio venceria a disputa à reeleição sem dificuldades, agora tem um cenário bem diferente pela frente.
Mas, como o movimento não é contra o governo especificamente e mostra rejeição à classe política como um todo, as principais lideranças no campo político para o próximo ano estão em risco. Para evitar o desgaste, os presidenciáveis Eduardo Campos (PSB) e Marina Silva (Rede) evitam se expor.
O PSDB intensifica a oposição tentando fazer o eleitorado acreditar que o problema é com o PT, mas para isso colocou na linha de frente o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e não seu presidenciável, o senador por Minas Gerais, Aécio Neves.
No Espírito Santo, ainda não se sabe exatamente qual o tamanho do estrago no prestígio eleitoral das lideranças políticas foi feito com o início dos protestos. Assim como Dilma, Renato Casagrande à frente do Palácio Anchieta não tem como se preservar e tem buscado um caminho que pode complicar sua reeleição.
No âmago da questão está o pedágio da Terceira Ponte, uma discussão que afeta diretamente os moradores da Grande Vitória, onde estão cerca de 60% dos votos. Ao defender a manutenção da cobrança, a imagem do governador pode piorar ainda mais.
Mas não vai sobrar só para ele. A falta de atenção às políticas públicas, uma situação que dominou todo o governo passado, também complica a vida do ex-governador Paulo Hartung e de seu aliado, o senador Ricardo Ferraço, ambos do PMDB. Eles tentam se preservar não ingerindo na discussão e deixando o desgaste todo para Casagrande. Se vai funcionar, é que não se sabe. Quando o processo eleitoral do próximo ano chegar é que saberemos o tamanho do prejuízo no capital político das lideranças e se houve tempo de recuperação até a disputa eleitoral.
Fragmentos:
1 – O deputado Euclério Sampaio (PDT) apresentou uma opção interessante para o governo em relação ao contrato da Rodosol. Como tudo nesse Estado vira precatório, por que não?
2 – Chamou a atenção na denúncia do Ministério Público Eleitoral (MPE) contra nove partidos o fato de a maioria não incentivar a participação feminina no processo político. E a representação só cai.
3 – A situação do deputado Gildevan Fernandes (PV) parece complicada para a disputa eleitoral do próximo ano. Contas rejeitadas, campanha contra na internet. Vai ficar difícil para o verde se manter na Assembleia.

