O recuo na candidatura de Luiz Paulo Vellozo Lucas à prefeitura de Vitória não pegou a classe política exatamente de surpresa, afinal, desde a semana passada já se cogitava essa possibilidade. Mas pelo jeito algumas lideranças do PSDB não esperavam que ele fosse mesmo desistir.
Para o PSDB Estadual e nacional, a saída do ex-prefeito da disputa afeta não só o jogo político na capital, mas todo o projeto tucano para 2016. Luiz Paulo tinha um palanque bastante competitivo, embora esbarrasse na falta de recursos e apoios.
Era uma candidatura tucana em uma capital do Sudeste, sem ele o partido teria que correr contra o tempo para encontrar alguém dentro do partido em condições de manter o mesmo nível de disputa que o ex-prefeito.
E o pior, a orientação da nacional é disputar em todas as cidades com mais de 200 mil habitantes e, é claro, de preferência com nomes de mais capilaridade na disputa. Antes de Luiz Paulo, outra candidatura forte do partido seria em Vila Velha, com o deputado federal Max Filho, que chegou a dizer que não disputaria, lançando a candidatura de Jorge Carreta no município. Depois voltou atrás e disse que sua posição não era definitiva.
Mas ele diz que não se sente pressionado, mas vai ter que rediscutir a situação sim. O problema é saber se ele tem hoje condições de voltar ao jogo, já que essa indefinição pode ter feito com que ele perca terreno no campo político. Que pode ser pressionado também é Guerino Balestrassi a disputar a prefeitura de Colatina. Mas a situação dele também é muito complicada, devido ao ônus de ter apoiado o atual prefeito Leonardo Deputuski (PT) no passado.
Diante da disputa nacional e a derrocada do PT, o PSDB se autointitulou herdeiro do jogo político, mas o tempo passou e o partido perdeu poder de fogo. Precisaria se estabelecer na disputa municipal, mas, pelo jeito, se depender das articulações no Espírito Santo, a coisa vai ficar complicada para o tucanato. A sorte é que por aqui o PT consegue estar em uma situação ainda pior. Mas isso é outra história.
Fragmentos:
1 – O prefeito de Vitória Luciano Rezende (PPS) quer evitar crises a qualquer custo, só aparece em agendas positivas, mesmo que seja inauguração de horta. Mas, bom gestor tem que aparecer também nos momentos difíceis. No caso da tragédia em um condomínio de luxo na Capital, faltou a presença do prefeito.
2 – E por falar em Luciano Rezende, pelo jeito, Gustavo De Biase (Rede) ao retornar ao grupo do prefeito, depois do recuo de Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB), com quem ele pretendia compor a vice, encontrou a porta fechada. No grupo a vaga já está 99% fechada com Sérgio Sá (PSB).
3 – Há quem diga que o recuo de Luiz Paulo deixou o vice-governador César Colnago (PSDB) em pânico. Isso porque a desistência afetou diretamente os planos do Palácio Anchieta às vésperas do início do processo eleitoral e a pressão palaciana estaria caindo sobre seus ombros.