Para parte da população, manter a agenda do fim de semana, com o desfile das escolas de samba do Estado é uma temeridade. Em meio a uma crise sem precedentes na segurança pública do Estado, com a Força Nacional e as Forças Armadas fazendo o policiamento ostensivo e a Polícia Militar ainda em greve, um evento desse porte é um risco.
Mas para o governo do Estado, que já está no tudo ou nada faz tempo, a realização do Carnaval é uma tentativa de mostrar para a população, e principalmente, para fora do Espírito Santo, que a situação está sob controle. A realização do evento pode trazer de volta a sensação de normalidade, que o capixaba ainda não encontrou.
O evento tende a ser um símbolo do retorno da normalidade do Estado, o que vai servir de subterfúgio para o governo enraizar seu discurso de controle da situação e apagar os focos de incêndio político, que ameaçam a estabilidade do governo como um todo.
Se obtiver êxito neste tento, vai poder continuar sua estratégia de sufocamento do movimento da Polícia Militar, de uma forma mais discreta, tirando das manchetes dos jornais a crise que vem trazendo acúmulo de desgaste para o governador Paulo Hartung (PMDB). E há dúvida de que vai dar certo?
O local deve ter uma segurança reforçada, a festa deve encobrir o que os primeiros dados sobre a violência mostrou: o massacre de jovens, negros e de periferia. Evidentemente a situação, nos bairros de maior risco social está bem longe de ser resolvida, mas o importante é melhorar a imagem na foto que o Estado vende ao Brasil.
A esperança do governo do Estado é que quando a folia acabar, o debate realmente necessário sobre a segurança vai ser esquecido e a vida vai finalmente voltar à normalidade. Mesmo que a criminalidade continue atuando nos bairros da periferia, porque isso nunca foi importante para as autoridades do Estado, muito menos para a sociedade que caminha de branco na orla.
Fragmentos:
1 – A bancada capixaba se reuniu nessa quarta-feira (15) com a ministra Cármen Lúcia, no Supremo Tribunal Federal (STF) para debater a Resolução 13, do Senado Federal, que reduziu a alíquota de importação de produtos através do fundo de desenvolvimento das atividades portarias (Fundap).
2 – A deputada federal Norma Ayub (DEM) fez seu primeiro pronunciamento na Câmara nessa terça-feira (14) e fez um apelo ao governo federal para não autorizar a importação de um milhão de sacas de café conilon, conforme pretende fazer o governo.
3 – O prefeito da Serra Audifax Barcelos (Rede) participa na manhã desta quinta-feira (16) da reunião de secretariado do município. Durante a reunião de trabalho, foram discutidos os projetos e ações prioritárias para a cidade.

