Durante a entrevista à Rádio CBN Vitória, na manhã desta terça-feira (14), o governador Paulo Hartung (PMDB) revelou desconhecer o Programa Ensino Médio Inovador (Proemi), que está suspenso no Estado desde sua chegada ao governo. Para quem passou quatro anos escrevendo sobre a educação e tem o tema como bandeira de campanha, esse foi um deslize sério.
O Proemi foi instituído pela Portaria nº 971, de 9 de outubro de 2009, que integra as ações do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE). Foi uma estratégia do governo federal para induzir a reestruturação dos currículos do Ensino Médio e é feito em parceria com os estados.
Um dos pontos importantes do projeto, olhe só, é ampliar o tempo dos estudantes na escola, buscando garantir a formação integral com a inserção de atividades que tornem o currículo mais dinâmico. Isso de uma forma democrática, com o aluno escolhendo participar ou não do programa, sem que tenha de deixar a escola, caso não possa.
A visão unilateral do governo, insistindo em um projeto que não atende às demandas da sociedade capixaba, acabou fechando os olhos do governo para coisas palpáveis, que já existiam e funcionavam no Estado. Não que a educação estivesse uma beleza. A reclamação dos alunos sobre a estrutura das escolas mostra que caminho para uma educação de qualidade no Espírito Santo é longo.
A explicação para tanta insistência pode ser o jeito antigo de Hartung atuar e que é bem explicado pelo jornalista Joca Simonetti em seu blog Casa de Joca, que toca em um ponto nevrálgico, o fato de o Movimento Empresarial Espírito Santo em Ação ser o patrocinador do Instituto de Co-responsabilidade pela Educação (ICE).
“Devemos lembrar que quem paga a conta, escolhe o que será servido. Nesse caso, quem paga a conta é o Movimento Empresarial Espírito Santo em Ação — entidade que reúne as principais empresas em atuação nosso Estado e que, nem de longe, podem ser definidas como tendo entre seu principal interesse o bem público. A propósito, se criticamos o financiamento empresarial das campanhas políticas, porque aceitar o financiamento empresarial do Estado?”
Fragmentos:
1 – Para a classe política, a CPI da Sonegação pode ser uma faca de dois gumes para os ex-prefeitos presos na Operação Derrama, deflagrada em 2013. Por um lado pode contribuir para “limpar” o nome dos que querem voltar à prefeitura em 2016.
2 – Por outro lado, querer remexer com o que está quieto pode trazer à tona um desgaste que estava recalcado nos escaninhos do Ministério Público de seus municípios.
3 – Tirando a questão da Derrama, a CPI da Sonegação pode trazer à tona revelações importantes sobre a arrecadação do Estado.

