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Efeitos da lama

 
Quem acompanhou a sessão dessa segunda-feira (9) da Assembleia e viu os deputados indignados, responsabilizando a Samarco pela enxurrada de lama que desce de Minas em direção ao Espírito Santo, deve ter ficado encafifado com a mudança radical de posição de alguns parlamentares. Afinal, a Samarco-Vale sempre foi uma velha amiga da classe política, sobretudo como provedora de recursos para as campanhas eleitorais. O desconfiômetro também deve ter apitado para a reação do governador Paulo Hartung (PMDB), que não ousou citar nominalmente a empresa — isso também já seria muito atrevimento —, mas fez questão de marcar posição, mesmo que via Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema), sobre as ações do governo para enfrentar a tragédia. O governo exigiu até, vejam só, que a empresa forneça água à população dos municípios que estão na iminência de serem afetados pela enxurrada de lama.Quem diria, logo Hartung que sempre foi tão íntimo da Samarco… Em março último, o governo do Estado até firmou um protocolo de intenções com a mineradora (foto acima) para empreender ações em conjunto para, não é ironia, proteger as nascentes. Na ocasião, o diretor-presidente da Samarco, Ricardo Vescovi, afirmou: “O papel das empresas, não é mais o mesmo. O papel do governo também mudou”. É verdade, o papel de muita gente mudou, principalmente depois da catástrofe de Mariana. 
Solidariedade
Como em tempos de tragédia toda iniciativa, por mais hipócrita que seja, deve ser interpretada como um ato de solidariedade, vamos relevar os atos dos deputados e do governador que viraram a casaca de repente. Mas não podemos deixar de registrar, não é de hoje, que essas empresas cometem atentados ambientais diários em terras capixabas, e, invariavelmente, tratam o Estado como um quintal de rejeitos de suas operações industriais criminosas. 

Correponsáveis

Dentro dessa lógica, podemos dizer que os parceiros dessas empresas, de alguma forma, são corresponsáveis pela tragédia. Porque é deste balcão de negócios que saem os acordos que atropelam a legislação e põem o meio ambiente e a população em risco. Ou alguém ainda acha que as empresas financiam campanhas porque acreditam na classe política?
Reféns
Quem recebeu algum dia financiamento de campanha das grandes poluidoras não tem credibilidade para compor nenhum colegiado que se propõe a investigar/fiscalizar essas empresas. Esse filme já passou na CPI do Pó Preto, quando o governo do Estado quis impor o deputado Gildevan Fernandes (PV) como membro da CPI, apesar de o líder do governo na Assembleia ter recebido dinheiro para sua campanha eleitoral da Vale. Agora, na comissão que irá fiscalizar os danos ambientais causados pela onda de lama, sete dos 15 deputados que integram o colegiado já mamaram nas tetas da Vale-Samarco. 
Lista
Para quem ainda não sabe, segue a lista dos deputados “carimbados”: Guerino Zanon (PMDB), Luzia Toledo (PMDB), Janete de Sá (PMN), Bruno Lamas (PSB), José Carlos Nunes (PT), Gildevan Fernandes (PV) e Rodrigo Coelho (PT). Vale a pena ficar de olho no trabalho desses parlamentares.
Gildevan news
Alguém precisa alertar o deputado Gildevan Fernandes (PV) que o papel do líder do governo na Assembleia não é fazer as vezes de assessor de comunicação do Palácio Anchieta. Na sessão desta terça-feira (10), o deputado forçou a barra ao usar a tribuna da Casa passar o boletim de ações do governador Paulo Hartung no enfrentamento da onda de lama que desce de Mariana. Menos, Gildevan.

Trocadilho infeliz

O senador Magno Malta (PR) mais uma vez se superou. Ao anunciar o lançamento da campanha “Brasil, um país que adota”, o senador, como é de costume, quis criar uma frase de efeito para a campanha. Mas foi longe demais. “É a oportunidade que o homem tem de transformar coração em útero”. 
Pego no contrapé
O deputado estadual Bruno Lamas (PSB) quis pegar carona no anúncio de lançamento da nova unidade do Escola Viva na Serra, mas foi pego no contrapé. Após postar nas redes sociais com entusiasmo que o município estava ganhando uma nova unidade do projeto, Lamas foi surpreendido pela memória do cidadão José Romildo Santos Silva, que questionou: “Estou errado, ou você votou contra o projeto, amigo Bruno”. O deputado tentou se explicar, mas se enrolou. 
Linha 370
Depois de esperar a polêmica do Integra Vitória esfriar, o prefeito Luciano Rezende (PPS) arriscou dar uma voltinha de ônibus pela cidade. O prefeito da Capital embarcou na linha 370 (Resistência-Bento Ferreira) para mostrar que já ganhou o perdão da população pela lambança causada pela mudança das linhas. 
Deu bolo
O deputado Marcos Mansur (PSDB) até vem se esforçando para fortalecer a Comissão Permanente de Cooperativismo da Assembleia. Criada em agosto, a comissão surgiu como alternativa de enfrentamento da crise. O presidente da Associação dos Municípios do Espírito Santo (Amunes), Danton Perim (PMDB), foi um dos entusiastas da iniciativa. Mas logo ele, deu bolo na reunião da comissão. 
140 toques
‘’O prêmio ecologia do governo do Espírito Santo de 2015 é um oferecimento da SAMARCO; não sei se será muito disputado. É porque….você sabe”. De Max Filho, no Twitter
Pensamento
Somos o que fazemos, mas somos, principalmente, o que fazemos para mudar o que somos. Eduardo Galeano

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