Enquanto a disputa à prefeitura de Vitória se inflaciona de pretendentes, a senadora Rose de Freitas (PMDB), que foi a mais votada para o Senado na Capital, não deu sequer sinal de fumaça de que possa entrar no páreo. Ela parece estar focada mesmo na disputa de 2018 para o governo do Estado.
Não há como entender de outra forma, porque quando ela vem ao Estado, o seu roteiro é sempre o interior, em busca de organizar as eleições municipais com vistas a 2018. Rose joga, certamente, com a hipótese de que o governador Paulo Hartung (PMDB) não disputará a reeleição. Mas sim o Senado, como é hoje uma linha de entendimento majoritário entre as principais cabeças políticas.
O que de todo não está longe de se consumar, muito embora a imprevisibilidade sempre foi a marca do homem.
Se antes, quando Hartung tinha o domínio absoluto da política fazia aquele teatro de que poderia disputar o Senado ou o governo, as condições políticas atuais dele não permitem mais que ele faça esse jogo de suspense. O resultado da vitória dele sobre Casagrande para o governo está aí mesmo para atestar que, se não fosse o eleitorado do interior, PH teria perdido as eleições.
E série recente de pesquisas do Instituto Futura, para identificar os favoritos às prefeituras da Grande Vitória, quando também mediram a popularidade do governador, registraram uma drástica redução em sua capacidade eleitoral, apesar do habitual protecionismo que o Instituto sempre destinou a ele. E no caminho dele tem também o ex-governador Renato Casagrande, que quer a revanche em 2018.
Não quero dizer com as alegações acima que está definitivamente descartada uma disputa de PH à reeleição. Longe disso, pois no seu histórico de eleições PH evitou sempre disputas apertadas. A estratégia dele sempre foi preparar a eleição com certa antecedência, destruindo pelo caminho aqueles que pudessem competir com ele, com a imprensa corporativa ocultando a verdade dos seus fatos.
Ora, com Casagrande no calcanhar dele, com a Rose com seu domínio eleitoral do interior, ainda mais agora que ela tomou conta, no Senado, da Comissão que distribui os recursos às prefeituras, tudo indica que ela está jogando uma cartada certeira de olho em 2018.
É bom não esquecer que quando ela decidiu candidatar-se ao Senado, poucos foram os que acreditaram nas suas possibilidades. O próprio PH trocou ela por João Coser (PT). Mas Rose deu a volta por cima. Trouxe do interior para a Grande Vitória uma votação que induziu o eleitor da região metropolitana a votar quase que maciçamente nela.
Além do mais, tudo passa. Jazem muitos quadros políticos do mesmo calibre de Rose, mas ela fica, PH já tentou outras vezes tirar Rose do caminho. Numa delas tirou-lhe a condição de disputar, num passado remoto, a prefeitura de Vitória. E nas eleições do ano passado fez de tudo para aniquilá-la, mas também sem sucesso.
Rose prossegue com ar de desafio querendo ser agora candidata ao governo, como se fosse o seu destino sobreviver a PH.