Quando um extremo da corda fica mais esticado, tende a fazer uma força para puxar a outra, gerando um verdadeiro jogo de cabo de guerra.
Entre os anos de 2006 e 2012/2013, milhões de famílias brasileiras escalaram a pirâmide social, conseguindo a ascensão à classe C, à sonhada classe média, e com isso, puderam passar a consumir bens e serviços que antes não tinham acesso. Houve influência desta ascensão também no aumento do nível de escolaridade e na melhoria da qualificação/formação profissional, fomentando também o sonho da ascensão profissional e financeira.
A partir desta ascensão o consumo aumentou, estimulado pelas facilidades de acesso ao crédito. Na lista dos novos itens consumidos estão: carro, imóvel, faculdade, eletro eletrônicos, dentre outros. A escolha principal da forma de pagamento destes foi a parcelada, a médio e longo prazo.
Nesse cenário “positivo crescente”, não houve atenção para a importância do repasse de conceitos e práticas para o uso consciente e sustentável dos recursos conquistados, desconsiderando a possibilidade do retrocesso; logo, não houve preparação para imprevistos.
Desde 2008 o assunto crise voltou aos noticiários, mas o consumo continuou crescente e, em 2014, a crise se evidenciou, impondo dia a dia a abdicação de itens incluídos nas despesas familiares, ficando novamente privados deles.
Da história recente ficaram as parcelas de financiamentos, as prestações e os empréstimos que, se avaliarmos, perceberemos que nem sempre foram consumidos e contratados por necessidade, mas muito por entusiasmos e impulso. O que fazer agora?
Para alcançarmos resultados diferentes, precisamos buscar novas maneiras de agir, partindo do reconhecimento da situação.
É hora de pensar em equilibrar o bolso, de organizar o orçamento, adequando as despesas a atual situação (macro e micro), cortando gastos supérfluos, enxugando ao máximo as despesas para formar reserva, seja para conquistar o “poder” para encarar as negociações das dívidas, seja para estar preparado para outros imprevistos.
Com o retrato da situação financeira nas mãos da família, conhecendo sua receita, suas despesas, também relacionando suas dívidas detalhadas, é possível gerar o planejamento para a reversão da situação.
Na implementação das ações traçadas no planejamento familiar não deve haver euforia, pois há que se lembrar de que esta situação não se instalou repentinamente, então, sua reversão também deve ocorrer a médio e longo prazo, demandando paciência, adquirida a partir do exercício de reflexão, calculando item a item cada dívida, negociando com atenção, também atentos às oportunidades que surgem e dando a devida importância a cada real.
Para a reversão do endividamento e a (re)conquista sustentável da ascensão social, o lema pode ser: “sair do quadrado, mudar o comportamento e ter novas ideias para antigos ideais”.
Ivana Medeiros Zon, Assistente Social, especialista em Saúde da Família e em Saúde Pública,Educadora Financeira, membro da ABEF – Associação Brasileira de Educação Financeira, palestrante, consultora, colunista do Portal EduFin www.edufin.com.br
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