Mesmo com um eleitorado pequeno, o Espírito Santo ganha uma importância muito grande nas articulações nacionais para a eleição deste ano por causa do acirramento da disputa que é prevista pelo PT nacional. Quem se beneficiou com isso foi o ex-governador Paulo Hartung (PMDB).
Até semana passada, Hartung conversava diariamente com o governador Renato Casagrande. Havia claros sinais de que estava disposto a manter o processo de unanimidade que ele mesmo criou em 2002. Este detalhe é importante, a movimentação não foi de Hartung e sim de Lula.
Quando menos se esperava, ele vai a Brasília, se reúne com Lula e participa uma estratégia eleitoral alternativa, tirando do palanque de Renato Casagrande o PT e o PDT. Não há como não avaliar a importância que o ex-presidente Lula dá às movimentações eleitorais no Espírito Santo. Ele mudou o jogo por aqui em 2010 e muda novamente o cenário em 2014.
Vem se preparando para uma disputa muito dura de Dilma Rousseff pela reeleição em que qualquer colégio passa a valer muito. Neste sentido, esvaziar o palanque do governador socialista Renato Casagrande é estratégico para o PT nacional, mesmo que o governador se comprometa com a neutralidade na disputa eleitoral.
Não dá para arriscar colocar Dilma em um palanque com uma identidade partidária tão grande do governador com o presidenciável do PSB, o governador Eduardo Campos. Ainda mais com Marina Silva, da Rede, principal apoiadora de Campos no cenário nacional e que venceu a eleição em Vitória e Vila Velha em 2010.
Se em 2010, os movimentos fechados em Brasília já tinham atingido mortalmente Ricardo Ferraço (PMDB), tirando-o da disputa ao governo, desta vez, o senador volta a ser alvo das manobras, já que, mais uma vez, está fora do jogo. A diferença é que em 2010 Ricardo foi “sacrificado” para dar lugar a Casagrande. Desta vez, a bala também acerta Casagrande.
Com uma crise no funcionalismo na iminência de explodir, uma pequena e barulhenta oposição na Assembleia, prefeituras em crise e secretariado fraco, Casagrande está em apuros. É verdade que ele conta ainda com sua imagem de homem do interior, tem a máquina na mão e 20 partidos em sua base. Mas, depois de ter queimado todos os seus cartuchos no processo de reconstrução do Estado, não tem muito mais a oferecer, ainda mais com a proibição de gastos e utilização da máquina em promoção de sua imagem, que a legislação eleitoral lhe proíbe a partir do próximo mês.
Cabe a Casagrande agora, tentar atrair Magno Malta (PR) para fortalecer seu palanque e ir para a disputa contra Paulo Hartung, reforçado como apoio de Brasília. Não será uma briga fácil, ainda mais se o cenário se polarizar.
Fragmentos:
1 – A deputada Iriny Lopes (PT) até tentou tirar Coser do encontro para fechar o acordo com PMDB e PDT, mas a esta altura todo mundo dentro do PT sabe que terá de caminhar com Hartung e Vidigal na eleição deste ano.
2 – Com a movimentação de Coser perde efeito o recurso da senadora Ana Rita contra o Encontro de Delegados do PT, no último sábado (15), já que nesta configuração, o presidente do partido está na posição de disputa ao Senado.
3 – Quanto aos prefeitos, é preciso destacar que o presidente da Associação dos Municípios do Estado (Amunes), Dalton Perim é aliado de Hartung.

