O sapato apertou o calo e o governador Paulo Hartung (PMDB), diferentemente das eleições anteriores quando resolvia tudo de dentro do Palácio Anchieta, foi obrigado a ir para a rua fazer frente ao ex-governador Renato Casagrande (PSB), com os seus asseclas na Assembleia incumbidos alijar o socialista do pleito já na próxima quarta-feira (6).
Assim, PH passa a a mensagem de que a eleição se ganha na rua. Mas, como dizem os seus, longe de protagonizar espetáculo da última disputa quando um marqueteiro de Arapiraca (Alagoas) sacou o tal do “abraço a Paulo”, que nunca combinou com a sua imagem. Pois ele nunca foi político de abraço, mas de personalidade superior às massas. Esse abraço, ironicamente, acabou servindo ao movimento sindical para ridicularizá-lo. “Essa abraço eu não quero” foi o mote da contrapropaganda que vem sendo usada pelos servidores públicos estaduais.
PH não quer mais agora, certamente, pagar outro mico eleitoral. Assim, preferiu saiu por ai, como agora na Serra na ocasião da entrega das moradias do Minha Casa, Minha Vida. Naturalmente ele quer calçar a candidatura do deputado federal e ex-prefeito do município, Sérgio Vidigal (PDT), para abater o atual prefeito Audifax Barcelos (Rede), que vai para a disputa no palanque de Casagrande.
Perder novamente para o Casagrande na Serra, segundo maior eleitorado do Estado, pode trazer consequências nas eleições de 2018. Pois vale a pena recorrer à memória das últimas eleições, em que ele tomou uma surra de Casagrande na Grande Vitória. Apesar de PH ter sido prefeito de Vitória, município irradiador de toda a região, agravando a derrota por ser Casagrande oriundo de Castelo, no sul do Estado.
Eleitoralmente Castelo é para lá de modesto do ponto de vista eleitoral. O atual governador, nessas saídas às ruas, esta se precavendo para evitar uma nova surra.
Mas não passa de um novo truque teatral do atual governador. Pois a rua sempre lhe foi indiferente. Daí a existência de situações como essa de inviabilizar os adversários como quer fazer agora com Casagrande. Pois não há ninguém que acompanhe política que não identifique o desejo dele em tirar do caminho quem tenha melhores condições eleitorais do que ele.
E poucos como ele contam com executores para situações como agora. Políticos de baixa estatura para executar tarefas como essa que tem costurado na Assembleia por meio da CPI dos Empenhos. Casos, por exemplo, dos deputados estaduais Gildevan Fernandes (PMDB) e Dary Pagung (PPR), que foram escalados para fazer o “serviço sujo”.
É recorrendo a manobras desse tipo ao longo de sua trajetória política que PH vem se mantendo na crista do poder. Só que as vozes dissonantes, que vem justamente das ruas, já afetam sua popularidade, desconstruindo aos poucos a imagem de “todo-poderoso” e comprometendo seu projeto de manutenção do controle sobre a política capixaba.

