Quando foi implantada no Estado, na década de 1970, como parte das condicionantes para a instalação, a Aracruz Celulose tinha uma série de condicionantes a cumprir. Entre elas estava a construção de uma escola, de uma clínica e do Centro Comunitário de Coqueiral, em Aracruz (norte do Estado).
Com a venda da Aracruz para o Grupo Votorantim, quando virou Fibria, os benefícios à comunidade começaram a ser retirados. Primeiro foi a escola. Foi feito um convênio com o grupo Darwin que agora explora comercialmente a unidade. A clínica foi vendida para outra empresa, que praticamente sucateou o estabelecimento: onde antes eram atendidas especialidades, atualmente é servida por apenas um clínico geral.
Agora, os diretores do Centro Comunitário foram surpreendidos com uma comunicação que diz que o local funcionaria até o último sábado (30). O estranho nesta situação é a falta de compromisso da empresa em cumprir com acordo com a comunidade. Este é um reflexo do que foi feito com os índios da região pela Aracruz, que agora se volta para a sociedade, reduzindo a qualidade de vida dos moradores do bairro que foi concebido para abrigar os trabalhadores da própria companhia.
A reação partiu da população com o apoio do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Química e de Papel (Sinticel); do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Extrativas de Madeira de Aracruz (Sintiema); e do Sindicato dos Trabalhadores na Silvicultura, no Plantio, Tratos Culturais, Extração e Beneficiamento da Madeira em Atividades Florestais e Indústria Moveleira no Extremo Sul da Bahia (Sintrex-Bem).
Os moradores se juntaram a lideranças sindicais e estão ocupando a sede do Centro Comunitário, em sistema de revezamento, para impedir a destruição do local. Esta atitude é louvável, mas os sindicatos podem mais.
A luta não deve para na ocupação. As entidades devem denunciar ao Ministério Público a ação da empresa em contrariedade ao interesse público. mesmo os sindicatos não sendo filiados, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) deve tomar uma posição e socorrer a população, dando peso político ao processo.

