Na eleição de 2014, o governador Paulo Hartung (PMDB) levou a melhor contra Renato Casagrande (PSB) na disputa ao governo do Estado. O sucesso nas urnas, em grande parte, foi assegurado graças aos votos do interior. Na Grande Vitória, onde estão os maiores colégios eleitorais do Estado, a situação não foi tão favorável ao peemedebista. Para 2018, no que depender do apoio das lideranças, a perspectiva é ainda maior para Hartung.
Dos prefeitos da região, o governador não pode confiar naqueles que mais precisaria para a disputa. A relação com Luciano Rezende (PPS), prefeito da Capital, não existe. Ele deve permanecer alinhado ao grupo de Renato Casagrande na disputa do próximo ano. O prefeito até teria tentado se aproximar do governador no início da gestão, mas diante da recusa de Hartung, Luciano Rezende permanece do outro lado e depois da eleição de 2016, sua permanência no palanque socialista é inevitável.
Em Vila Velha, a disputa pela presidência do PSDB colocou Max Filho no grupo contrário a César Colnago, dentro de um projeto para o próximo ano que defende a independência do partido e combate a manutenção da aliança com Hartung. Isso pode ter definido de vez o fim do relacionamento do prefeito com o governador, que sempre foi frágil.
Na Serra, maior colégio eleitoral do Estado, as atitudes volúveis do prefeito, Audifax Barcelos (Rede) também não inspiram confiança de que o prefeito estará no palanque do governador Paulo Hartung. Se em um dia Audifax posa para fotos ao lado de Hartung, no outro faz declarações de fidelidade à senadora Rose de Freitas (PMDB).
Cariacica é uma garantia de apoio a Hartung, mas não estamos falando do maior município da Grande Vitória. Além disso, o prefeito Juninho (PPS), embora seja fiel aliado do governador, não é a única liderança indutora de votos da cidade. Longe disso. O ex-prefeito e deputado federal Helder Salomão (PT), esse sim, é um grande eleitor, e já não se afina com o Palácio Anchieta há muito tempo.
Viana tem um bom volume de votos, mas o prefeito Gilson Daniel (Podemos) é tão volúvel quanto Audifax Barcelos. O governador sabe que não pode contar com ele de olhos fechados. Nem mesmo o antigo aliado do peemedebista, Edson Magalhães (PSD), de Guarapari não faz mais declarações de lealdade.
Isso não significa que os prefeitos da região metropolitana vão garantir apoio a Rose de Freitas ou a Renato Casagrande, mas o governador Paulo Hartung terá que resolver seu problema de desgaste com o eleitorado da Grande Vitória sozinho, não terá como certo o trabalho dos prefeitos em favor de sua imagem.
Fragmentos:
1 – O ex-governador Renato Casagrande recebe na próxima terça-feira (7), às 17h, no Salão Nobre da Câmara dos Deputados, o prêmio Lúcio Costa de Mobilidade, Saneamento e Habitação. A iniciativa é da Comissão de Desenvolvimento Urbano da Casa e o prêmio é concedido anualmente a três entidades e três personalidades por trabalhos desenvolvidos para a melhoria de vida da população.
2 – Ventila-se na Câmara de Vila Velha que o presidente da Casa, vereador Ivan Carlini estaria pensando em deixar o DEM. Ele ainda não revela a sigla, mas a julgar pelo histórico do vereador, o caminho deve ser o PSDB. Isso porque, quando Neucimar Fraga era o prefeito e estava filiado ao PR, para lá Ivan Carlini foi. Quando Rodney Miranda elegeu-se prefeito pelo DEM, o vereador se filiou ao partido do então novo prefeito. Como o prefeito Max Filho é tucano, se manter a escrita, a tendência é que o vereador migre para o ninho.
3 – Depois de o governador adiantar que irá vetar o projeto de Euclério Sampaio (PDT) que propõe censura às exposições artísticas consideradas “pornográficas”, a tendência é que os deputados da base governista que votaram a favor da matéria se segurem na inconstitucionalidade da proposta. Apenas os deputados mais inflamados na defesa da matéria é que devem manter sua posição. A votação deve ser dividida, mas dificilmente a base vai cogitar a possibilidade de derrubar um veto, algo que não acontece há muito tempo no Estado.

