Há anos vem crescendo a divulgação e a adesão ao movimento internacional intitulado Outubro Rosa, que promove a importância da prevenção e do combate ao câncer de mama. O mês de outubro passou a concentrar ações estratégicas de educação em saúde, com foco na prevenção da doença, tendo também como objetivos diagnosticar precocemente a doença, divulgar os direitos das mulheres com diagnóstico de câncer de mama, desmistificar e quebrar paradigmas em relação à representação mental desta doença, que ainda assombra a vida de muitas mulheres e famílias.
O câncer de mama é a principal neoplasia maligna que atinge o sexo feminino no Brasil, justificando a importância do movimento. A mamografia é considerada o principal método diagnóstico para a detecção do câncer de mama em estágio inicial e por isso, vem sendo proposto como método de rastreamento a ser adotado para a população feminina, mas ainda é aplicada como regra, às mulheres entre 50 e 69 anos de idade.
Novamente o dinheiro parece definir o acesso à vida, considerando o fato de que o nível socioeconômico parece ser o principal determinante de acesso às consultas ginecológicas, a mamografia , e também, às demais condutas nas prevenções secundárias do câncer de mama.
É de alto custo o diagnóstico, assim como o tratamento, que seguem as recomendações referentes ao controle do câncer de mama, incluindo cirurgia, sessões de quimioterapia, de radioterapia, e a adoção de medicamento de uso prolongado para o controle da doença, além de intervenções interdisciplinares com: enfermeiro, psicólogo, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, assistente social e nutricionista.
Outro dado sobre a doença e que reforça a importância do acompanhamento psicoterápico desde o diagnóstico, vem dos estudos que associam o câncer de mama com fatores psicológicos, como resposta a traumas por perdas na vida, por culpa, por conflitos familiares não resolvidos, à repressão às emoções ou a dificuldade de se expressar. Fato é que o paciente não adoece sozinho, pois a sua família adoece junto, servindo também como motivação para a adesão e luta no tratamento contra a doença, estando junta também para o momento de celebração da vitória.
Se de um lado o câncer de mama é a principal neoplasia maligna que acomete às mulheres, do outro lado, se descoberto em estágio inicial e, considerando a garantia de acesso aos métodos diagnósticos e ao tratamento adequados, em um menor tempo possível, as chances de cura são de 95%.
Entendo que novamente tempo e dinheiro são fatores preceptores para a garantia à vida das pacientes com diagnóstico de câncer de mama. Há que se disseminar e de fazer valer os direitos previstos em lei, tais como: de acesso aos medicamentos pelo SUS, ao afastamento do trabalho e ao recebimento de auxílio-doença para as seguradas do INSS, chegando à possibilidade de aposentadoria por invalidez, dependendo da “condição de incapacidade” para o trabalho, àquelas que não são seguradas do INSS podem solicitar naquela Instituição o benefício LOAS – Lei Orgânica da Assistência Social, desde que se enquadrem nos critérios de elegibilidade, às aposentadas e pensionistas podem solicitar a isenção do Imposto de Renda, podem sacar o FGTS e o PIS/PASEP, tem também o direito à cirurgia plástica reparadora, à isenção do ICMS, IPI e IPVA na compra de carro, direito à antecipação no recebimento do seguro de vida. Direitos que
devem ser disseminados a todos e por todos e utilizados pelas pacientes, como forma de gerar receita para garantir o tratamento adequado e se possível, formar reserva, para realizar sonhos.
Vale lembrar que a prevenção continua sendo a melhor arma contra o câncer de mama e contra todas as doenças.
Ivana Medeiros Zon é assistente social, especialista em Saúde Pública e em Estratégia Saúde da Família. Autora do Projeto Saúde Financeira na família: uma abordagem social, com foco em educação financeira.
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