A saída de Luiz Paulo Vellozo Lucas da disputa à prefeitura de Vitória embaralhou o jogo político da capital e pode complicar os planos de Paulo Hartung (PMDB). O governador incentivou a candidatura de Amaro Neto (SD) para tentar enfraquecer o palanque rival de Luciano Rezende (PPS) e Renato Casagrande (PSDB).
Desde o início do processo, Luiz Paulo vinha cobrando o apoio incondicional de Paulo Hartung ao seu palanque, mas o peemedebista vinha saindo pela tangente. De olho nas pesquisas eleitorais e outro no cenário político, o governador nunca foi sentimental. Se a candidatura em um cenário adverso fosse representar o fim da carreira de Luiz Paulo, em caso de derrota, mas garantisse a saída de Luciano Rezende do segundo turno, tudo bem.
O problema é que Luiz Paulo já abriu mão de seus projetos em favor dos projetos de Hartung tantas vezes, que não dá mais. Não poderia entrar nesta disputa, correndo o risco de ver Amaro Neto e Luciano Rezende chegarem ao segundo turno e ele ficar pelo caminho.
Agora Hartung tem dois palanques em Vitória dos quais não tem mais controle. Lelo Coimbra é do PMDB, mas não recebeu qualquer sinalização de Hartung em favor de sua candidatura. Amaro Neto também não precisa do governador para consolidar sua candidatura e já mandou até recado de que não desistiria nem por um pedido dele. É claro que Hartung terá transito livre nos palanques, mas não como controlador e sim como aliado. Isso muda o jogo de figura.
O governador perde também a garantira de que derrotará o palanque de Luciano Rezende. Afinal, Amaro Neto é um fenômeno midiático que ainda não foi testado em uma disputa municipal, ainda mais com um eleitorado exigente como o de Vitória. Pode dar muito certo, mas pode ser um novo Celso Russomano, que na eleição de 2012, em São Paulo, começou como líder da corrida eleitoral, mas foi encolhendo durante a campanha e não conseguiu chegar sequer ao segundo turno.
Fragmentos:
1 – O PSDB que prometia ter um desempenho forte em 2016, aos poucos vê seu projeto sendo esvaziado. Sem Max Filho, em Vila Velha; com a desistência de Luiz Paulo, em Vitória e a possibilidade de Vandinho Leite vir a compor com Sérgio Vidigal, na Serra, o que sobra para o partido?
2 – Com isso, o projeto nacional de 2018 fica comprometido, pelo menos no Espírito Santo, já que a intenção era vencer no maior número de cidades com mais de 200 mil habitantes.
3 – Quem também conversou com o candidato Amaro Neto nessa segunda-feira foram os pré-candidatos a vereador do PSC. O partido, que tem 20 nomes colocados na chapa, vai priorizar a proporcional. A sigla já conversou com outros pré-candidatos e bate o martelo sobre o caminho a seguir na convenção do próximo dia 28.