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Encara, Casão!

A coluna da Renata Oliveira mostra como agem os deputados na Assembleia, através da famigerada Comissão dos Empenhos, para impedir, agora, a candidatura do ex-governador Renato Casagrande (PSB) ao governo em 2018.
 
Deixando bem claro que o maestro da manobra, sem qualquer resquício de compostura, é o atual governador Paulo Hartung. Que em outro momento, com na sua reeleição, utilizou-se de expediente semelhante. Só que naquele tempo, não havia, como agora, alguém com o potencial eleitoral de Casagrande.
 
Só que vivemos num Estado em que, infelizmente, a insensatez política passa a ser mitigada em sensatez à custa de uma imprensa chapa branca e de uma classe política dominada pelo medo de PH.
 
A Assembleia Legislativa, embora tenha suas exceções, também está dentro desse pacote. Para não fugir ao foco do atentado, mister se faz registrar que PH deixou de ser o cara desde quando, nas últimas eleições em que ganhou de Casagrande, caiu no domínio público as dezenas de passagens pagas pelo Estado para a mulher dele ir ao Rio de Janeiro e a São Paulo; a sua mansão secreta nas montanhas capixabas, além da empresa de consultoria Éconos, cuja carteira de clientes, em sua maioria, era formada por empresas contempladas com benefícios fiscais do seu governo.
 
Foi o que realmente operou mudança no seu retrato político, baixando o tamanho da sua imagem. Embora não façam alarde, pelo contrário, os próprios deputados são os primeiros a constatar essa queda de Hartung junto às suas bases políticas. O que, de certa forma, criou essa necessidade de tirar do caminho, logo agora, o único em condições de vencê-lo. 
 
Olhando-se para dentro dos quadros políticos do Estado, não se enxerga outro com tamanha capacidade de ganhar as eleições em 2018. Tirá-lo, portanto, de cena agora é providencial. Pois o governador Paulo Hartung é o cara a ser batido por ele.
 
Isso se Hartung realmente candidatar-se ao governo (sou do time que não acredita nessa hipótese; acho mesmo que ele será candidato ao Senado) cedendo a vaga para o vice César Colnago (PSDB). Como já disse outro dia, neste mesmo espaço, PH mal está aguentando governar em teempos de recessão, que dirá para um outro mandato em 2018.
 
Voltando à Assembleia, chama a atenção o comportamento dos deputados escalados para fazer o funeral eleitoral de Casagrande dentro da Comissão dos Empenhos. Tudo seguia dentro do plano do Palácio Anchieta, até que o imprevisível Euclério Sampaio (PDT) quebrou ou enredo. No papel de relator da CPI, o deputado mudou de lado repentinamente ao poupar Casagrande de figurar na lista dos indiciados ao lado de cinco ex-secretários de sua equipe.
 
A decisão inesperada de Euclério gerou um corre-corre danado entre os governistas. Para reforçar a tropa de choque dentro da CPI já haviam convocado Dary Pagung (PRP), mas o deputado, nesse primeiro momento pelo menos, evitou sujar as mãos. Coube a Erik Musso (PMDB), vice-líder do governo na Assembleia, demonstrando certo constrangimento, apresentar pedido de vista para o governo ganhar tempo e arrumar um jeito de incluir o rival entre os indiciados. 
 
Diante desse quadro vampirizado, não há mais motivo para Casagrande adiar um ataque para cima de PH. Não dá mais para Casagrande apenas contra-atacar. Ele já deveria estar na linha de frente no comando do ataque, revelando uma situação de absoluta imbecilidade política imposta por Hartung.

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