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Engolido pela democracia

O governador Paulo Hartung está realmente n’água nas eleições deste ano.  Seu método de atingir terceiros deixou de funcionar. É só pegar o exemplo de seus ataques ao ex-governador Renato Casagrande (PSB): ele bate, bate, bate e, quando vêm as pesquisas, Casagrande está “dando um banho” nele em condição eleitoral.
Quer dizer, PH não se deu conta, ainda, que errou na dose do processo tirânico que exerceu no Estado praticamente nos últimos 14 anos, inclusive no decorrer do governo de Casagrande, de quem foi parceiro, tendo ficado inclusive com os melhores cargos, a exemplo da Companhia Espírito-Santense de Saneamento (Cesan). 
PH estabeleceu nesse período um domínio absoluto no Estado. Vale ressaltar a sua relação com o Ministério Público e a Justiça estadual, tendo aumentado enormemente a receita de ambos e, diga-se de passagem, foi correspondido plenamente. Criou áreas em conluio com o empresariado, a ponto de nascer, como exemplo, a ONG ES em Ação. Nem um pio se ouviu contra o governador. Abriu o cofre do governo segundo suas necessidades e, aí, tornou-se um governador inalcançável. 
Mas ele se esqueceu que todas as tiranias têm seu momento de realidade. Como ocorre agora. Veio tarde, mas veio, e PH não está conseguindo saber para onde ir. Perdido, não tem segurança para escolher o que disputar.  
E não acaba nesse ponto o inferno astral de PH. O ex-governador Max Mauro lhe aprontou um veneno letal para as suas possibilidades de se reeleger, com a candidatura do seu filho, prefeito de Vila Velha Max Filho (PSDB). Sobre esta candidatura, há uma visão um tanto quanto distorcida da imprensa corporativa, que alardeia que a candidatura de Max é para competir com a do vice-governador César Colnago dentro do ninho tucano.
Na verdade, é jogo casado. Não podemos esquecer que Max Filho foi para o PSDB pelas mãos de Colnago. Ou dá um ou dá outro. Colnago já sentiu que está em risco de receber uma rasteira de PH, que sinaliza para a candidatura à reeleição.  Além disso, neste jogo de Colnago e Max, também entra o ex-prefeito de Vitória, Luiz Paulo Vellozo Lucas. Quer dizer, PH não vai botar as mãos no PSDB, como ele precisa, para se manter no poder. 
Há vários outros exemplos mostrando que o mundo político hoje se desamedrontou de PH. Os movimentos dos partidos estão correndo alheio a ele e, recentemente, PH escolheu seu chefe de gabinete civil, Zé Carlinhos, para ir ao encontro dos pequenos partidos, buscando-os para sua companhia, o que tem sido uma tarefa nada fácil.
É o resultado do processo político que PH promoveu, sem aceitar oposição. Faltou a ele um mínimo de capacidade e tolerância para reger o Estado de forma democrática. Escolheu a via da tirania e, como todas que a história registrou, chegou o dia dessa estremecer. Paulo terá de se virar para sobreviver dentro no processo democrático. 
Que 2018 seja um ano capaz de reeducar PH politicamente, qualquer que seja o resultado da eleição. 

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