Pela linha da entrevista do professor Victor Gentilli a Século Diário, de que a rua não se sente mais representada pelos atuais políticos, é possível entender as condições objetivas da tomada da Assembleia Legislativa por um grupo de manifestantes. Não necessariamente como uma ação de derrubada de poder, mas de ocupação temporária em busca de decisões afinadas com o clamor das mobilizações populares. É como tem sido tratada a proposta do fim do pedágio da Terceira Ponte, do deputado estadual Euclério Sampaio (PDT). No entanto, ao aceitar as regras legislativas da Assembleia para exame da matéria, como ficou relativamente claro ao trocar a ocupação da sala do presidente da Casa, Theodorico Ferraço (DEM), pelo anexo, para assim proporcionar o andamento da matéria, o grupo aceitou, pelo menos tacitamente, data válida para o fim da ocupação: a votação da proposição de Euclério -aprovada ou não. Correção
Um ato corretivo e ocasional, mas que também transmite a impressão de que a Assembleia poderá voltar a ser palco de outras ocupações, desde que se desalinhe com os objetivos traçados pelos movimentos das ruas.
Ameaça
A votação da matéria pelos deputados, de acordo com o que for decidido pelos manifestantes, poderá ocasionar vantagens ou desvantagens em suas reeleições. Principalmente os que são originais da Grande Vitória, onde a questão da Terceira Ponte afeta grande parte da população.
Álibi
E onde também haverá o maior acúmulo de candidatos a deputado estadual. Aquele que derrubar a proposta do Euclério, pode muito bem virar saco de pancada dos novos concorrentes. Ainda mais agora, com a mobilização nas redes sociais para não reeleger os atuais detentores de mandatos. Os que votarem a favor, pelo menos vão ganhar o álibi para defender suas reeleições. É a impressão que se recolhe.
Na maior
Como não poderia deixar de ser, Theodorico Ferraço está tirando seu sarro com o episódio: não deu recibo à ocupação do seu gabinete. Pousa de democrata.
Na maior II
Mas no governo, ele é visto como quem poderia ter evitado o episódio, se tivesse usado da prerrogativa de não ter recebido a Proposta de Decreto Legislativo do Euclério, como permite o regimento da Assembleia.
Tiro no pé
Evitando o acesso do movimento a ele, o governador Renato Casagrande anda incapaz de perceber que o seu projeto, baseado na continuidade do seu antecessor Paulo Hartung (PMDB), não corresponde mais aos anseios da população capixaba.
Desapareceu
Aliás, o ex-governador Paulo Hartung, que estava em todos os cantos possíveis do Estado, passando a impressão de que se encontrava em plena exibição de candidato ao governo, recolheu-se após o povo tomar contas das ruas. Receio de sobrar também para ele. Ou seria incompatibilidade de natureza política?
Juntos
No ninho tucano, o ex-prefeito de Vitória Luiz Paulo Vellozo Lucas assegura, que tanto ele como o deputado federal e presidente regional do partido César Colnago, estão numa única direção: a eleição do senador Aécio Neves para a Presidência da República.
Técnica
Luiz Paulo entende sua relação com o governo do Estado como iminentemente técnica. Presta serviço dessa ordem, e fará da melhor maneira possível para corresponder ao que espera o governo do Estado.
PENSAMENTO:
“O projeto do Estado brasileiro não corresponde mais aos anseios da população”. André Lara Resende

