Os prefeitos do Estado se reuniram nessa segunda-feira (11), em Vitória, para discutir a situação periclitante que enfrentam em suas bases. Para desabafar e pedir ajuda, eles recorreram à bancada federal. Querem dinheiro da União para tocar suas cidades. O governo do Estado ficou de fora. Até porque a desculpa já é conhecida, não tem dinheiro e pronto.
Essa situação já é antiga. A classe política capixaba insiste nesse discurso que não cola em Brasília de que o Espírito Santo é discriminado, que dá a Brasília muito mais do que o Brasil dá ao Estado, que o governo Dilma não gosta do Estado, porque o PT perde aqui. Enfim, um blá, blá blá que não leva o Estado a lugar nenhum.
O que se deveria discutir, mas parece ser assunto proibido, é a enorme dependência dos municípios capixabas aos governos estadual e federal. Os municípios não têm autonomia e o governo do Estado não ajuda neste sentido. Os prefeitos, acostumados a viver de fundos, também não investem nas potencialidades locais, preferem ficar com o pires na mão e, de marcha em marcha, jogar a culpa nos outros.
O fato é que quando se discute investimentos econômicos no Estado é sempre de uma multinacional, que vai produzir alguma matéria-prima aqui e exportar, deixando o ônus da produção, muitos problemas sociais, e nada de retorno financeiro.
Para o governador, essa dependência é interessante do ponto de vista político. Joga com a esmola, como aconteceu com o suspende e volta do Fundo de Desigualdades Regionais e o fim do Fundo Cidades, o que coloca os prefeitos na sua mão. Ele também tem na mão os adversários desses prefeitos e aí fica com os tabuleiros eleitorais dos 78 municípios em suas mãos.
Como Hartung vem tentando se legitimar como o grande líder político do Estado, que foi antes de deixar o governo em 2010, e de quebra eliminar do cenário seu principal desafeto político, o ex-governador Renato Casagrande (PSB), os prefeitos se tornam os peões pefeitos desse xadrez político.
Fragmentos:
1 – A 19ª Conferência Nacional dos Legisladores e Legislativos Estaduais (CNLE) será nos dias 10, 11 e 12 de junho, no Centro de Convenções de Vitória, e é estimada a participação 1.200 pessoas. Com o tema “Mudanças globais e novos rumos”.
2 – Nessa segunda-feira (11), uma comitiva composta por 16 parlamentares de diversas casas legislativas do Brasil, incluindo o presidente da Unale, deputado Alexandre Postal (PMDB-RS), estiveram na Assembleia para o lançamento do evento.
3 – Rose de Freitas (PMDB) vai buscar apoio do correligionário, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (RJ), para tentar ajudar os municípios. Sério? Eduardo Cunha?!

