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Entrevista com Carlos Tourinho

Raramente recorro ao expediente de fazer entrevista virtual aqui neste espaço, somente para casos raros e especiais. O que o jornalista tarimbado Carlos Tourinho fez, justifica a exceção. A entrevista a seguir aborda sua tese, recentemente concluída em Portugal
 
José Roberto Mignone (JRM) – Tourinho, sua tese aborda diretamente sobre interação em um jornalismo praticado em telejornais nos dias de hoje.
 
CARLOS TOURINHO – Quando surgiram as primeiras notícias sobre a implantação da TV digital terrestre (TDT – via ondas hertzianas) em vários países do mundo falou-se muito das vantagens para o telespectador: melhor imagem e som, mobilidade, portabilidade e… interatividade. O que me propus a fazer foi identificar se a promessa da interação/interatividade estaria sendo cumprida no âmbito dos telejornais. Por que telejornais? Porque uma coisa é você dar voz ao telespectador numa transmissão de futebol, num programa musical, e outra é dar poder ao telespectador de interferir ou questionar as notícias. O jornalismo é o principal cartão de visita de uma emissora de televisão. É ali que a emissora diz ao seu público quem é, o que pretende, e se é ou não confiável. Portanto, interação/interatividade no jornalismo significa compartilhar poder, estimular a autonomia e a cidadania de seus telespectadores. Foi isso que nos propusemos a entender e verificar. De certa forma, quando das manifestações de junho de 2013, os jovens questionaram os políticos e os meios de comunicação neste sentido: são ou não representativos da população? Por que tomam para si a palavra final? Por que não ouvem o cidadão? A “interação” contribui neste sentido.
 
JRM – Você, em dado momento, chama seu estudo de “investigação”. Toda tese é uma investigação ou seu estudo foi um trabalho ímpar de análise?
 
CARLOS TOURINHO – Toda tese é uma investigação. Assim como no campo policial (onde o termo é mais difundido) a ciência prescinde da investigação para certificar a autenticidade das hipóteses levantadas. Não basta ter uma opinião, “achar” alguma coisa. Um trabalho científico –e uma tese é um trabalho científico –deve ser construído a partir de estudos teóricos e empíricos. O pesquisador (ou investigador) precisa mostrar em detalhes como chegou a uma conclusão. Precisa provar isso!
 
JRM – Você dividiu sua tese de três anos e meio de estudos em duas partes: Uma envolve o próprio desenvolvimento da televisão, inclusive com sua crescente dependência tecnológica, e a segunda você se baseia na interatividade do telespectador com os canais, inclusive, com aqueles que você trabalhou. É isso?
 
CARLOS TOURINHO – A primeira parte é teórica. Fala do desenvolvimento da televisão e do telejornalismo ao longo da história. Esta parte também aborda os diferentes entendimentos atribuídos aos conceitos “interação e interatividade” que são conceitos próximos, porém diferentes. A segunda parte da tese é a empírica. É onde, a partir de uma metodologia própria, faço a pesquisa prática (a investigação!), analisando seis telejornais (os três principais do Brasil e o mesmo número em Portugal) ao longo de três anos. É aí que vou identificar se estes telejornais praticam ou não a interação com seus telespectadores. Depois tiro minhas conclusões.
 
JRM – Conta por que escolheu Portugal, caso possa resumir (risos)
 
CARLOS TOURINHO – Escolhi trabalhar meu tema no Brasil e em Portugal por alguns motivos. Primeiro porque sou brasileiro e, naquele momento, morava e estudava em Portugal. Segundo porque considero que estes dois países representam uma espécie de síntese do mundo ocidental: velho/novo mundo; Europa/América; primeiro mundo/ emergente; colonizador/colonizado; referências e influências europeias/referências e influências norte-americanas. Em comum, o fato de Brasil e Portugal possuírem laços históricos no período Colonial, um passado com marcas do autoritarismo e uma duradoura amizade entre seus povos.
 
JRM – Qual a sensação do dever cumprido e o que acontecerá com sua tese agora?
 
CARLOS TOURINHO – A sensação é maravilhosa pelo alívio de ver o trabalho concluído, pela oportunidade do aprendizado e pela possibilidade de ter contribuído para o avanço das pesquisas nas Ciências da Comunicação. Agora espero uma convocação para retornar a Portugal no final deste ano com o objetivo de uma apresentação pública da tese e uma sabatina com professores de várias universidades europeias. Só depois disso receberei o título. Na sequência penso em publicar a pesquisa. O problema é o tamanho: foram cerca de 450 páginas.
 
PARABÓLICAS
 
Certamente Fábio Pirajá deverá capitanear alguma campanha de candidato nestas eleições. É o mais tarimbado.
 
Miguel Roldan de seu exílio no norte do Estado manda aviso dizendo que pintará por Vitória por esses dias.
 
Quem está vindo regulamente à capital, resolvendo problemas familiares, é Nero Neto, hoje também no SPORTV.
 
Falar em capixaba, dois se despontam hoje com muita frequência, Chay Sued e Cícero do Fluminense
 
MENSAGEM FINAL
 
Não é porque as coisas são difíceis que não as desafiamos; é por não sermos corajosos que elas são difíceis. Seneca

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