Quando as conversas sobre a eleição da presidência da Assembleia Legislativa começaram a mudar de rumo, da reeleição de Theodorico Ferraço (DEM) para a eleição de Erick Musso (PMDB), a leitura dos meios políticos foi de que o Palácio Anchieta havia ingerido no processo para retirar o demista de uma posição estratégica para o processo eleitoral de 2018. Como naquele momento o peemedebista era o vice-líder do governo, imaginou-se uma Mesa controlada pelo governo.
Musso venceu a disputa na toada dos deputados que entendiam que havia muita concentração de poder nas mãos de Ferraço. Passados três meses do início da gestão, ele começa a mostrar a que veio, embora ainda seja difícil fazer uma leitura mais clara das movimentações do presidente da Assembleia.
Duas medidas recentes adotadas por Erick mostram que ele está fortalecendo sua base na Casa. A primeira foi mais abstrata. O tal almoço com os deputados estaduais na última quarta-feira (3) foi considerado decisivo para a queda do líder do governo Gildevan Fernandes (PMDB). Há tempos os deputados reclamavam da atuação de Gildevan, que acelerava os projetos do governo com enxurradas de pedidos de urgências em projetos, inclusive, que trouxeram desgaste para os deputados, ao mesmo tempo em que trabalhava pela negativa das iniciativas dos colegas de plenário.
Nessa segunda-feira (8), a queda do todo poderoso procurador-geral da Assembleia, Julio Chamun, foi outra ação que ganhou os deputados e acendeu a esperança de que os projetos não vão morrer no nascedouro, com os constantes pareceres de inconstitucionalidade vindos da Procuradoria. Com isso, aos poucos, Musso vai ganhando a confiança dos deputados, depois da sangria do Diário Oficial que deixou os ânimos exaltados no início da gestão.
Paralelamente, o presidente vem chamando para si a função de negociador do Legislativo. A ida do subsecretário da Casa Civil, Roberto Carneiro para a direção da Casa, dava indícios de que ele seria a ponte com o Palácio Anchieta, mas quem tem assumido esse papel é o presidente, que tem feito muitas visitas ao Palácio Anchieta.
As ações de Erick Musso jogam por terra a ideia de que o presidente seria uma rainha da Inglaterra e que seus colegas de Mesa, Marcelo Santos (PMDB) e Enivaldo dos Anjos (PSD), além de Raquel Lessa (SD) – que foi quase uma exigência palaciana –, seriam os nomes fortes dessa gestão na Assembleia. Musso chamou para si a responsabilidade e mostra que tem protagonismo nas articulações políticas da Casa.
Fragmentos:
1 – Há quem diga que há uma movimentação do governador Paulo Hartung (PMDB) para que o deputado Sérgio Majeski saia do PSDB, ou seja, convidado a se retirar. Mas há quem diga também, que isso pode acabar aumentando o capital do deputado, já que muita gente entende que ele não combina com o partido.
2 – O deputado Gildevan Fernandes (PMDB) faz a linha de que está tudo bem entre ele, o governo e o plenário da Assembleia. Mas é bom o governador Paulo Hartung colocar as barbas de molho, afinal, ele continua comandando a Comissão de Justiça, a mais importante da Assembleia.
3 – O sindicato dos trabalhadores da Assembleia Legislativa está muito satisfeito com a saída de Julio Chamun da Procuradoria da Casa. “Que a paz prevaleça na Assembleia Legislativa. Ao fim das perseguições aos requerimentos do Sindilegis e sua legitimidade, tributar nosso auxílio alimentação, perseguições individuais, aos cinco anos dos concursados”, diz a nota divulgada pela entidade.

