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Erro de comunicação

As pessoas mudam – de casa, de cara, de corpo, de endereço, de situação financeira, de relacionamentos, de emprego, até de identidade. Manda-se uma carta (se é que ainda existem) e fica-se na maior expectativa, esperando a resposta…  mas o que chega é a carta de volta, “Não mora mais aqui”. Mudei recentemente e o antigo morador esqueceu de avisar aos correios… chega avalanche de cartas, onde tenho que escrever, Destinatário ignorado. Comprei  um carimbo.
 
Mas são tempos de linhas virtuais, e não se gasta o valor de um selo, mesmo que pouco, quando podemos mandar um email. Ou dois, que o preço é o mesmo. Também esses nos decepcionam mais vezes do que deveria ser permitido. Emails se desviam da rota e não  chegam ao destinatário por ínfimas razões – a caixa está sobrecarregada e não recebe mais mensagens (29%); mudou de endereço ou anotei o endereço errado (18%); o computador quebrou e tão cedo não vai ser substituído (15%); conta cancelada (16%);  não tem tempo de ler ou esquece de abrir  (21%).
 
Garantia absoluta de obter uma resposta rápida e segura é o telefone, que está conosco há muito mais tempo e tem prestado grandes serviços à humanidade. Com a invasão dos celulares, pagamos caro para usufruir de seus benefícios, mas temos a garantia de que o serviço é infalível, certo?  Errado! Não recebe nem faz chamadas (28%); esqueceu de carregar (21%); Não quer ou não pode atender no momento (17%); fora de área (13%);  esqueceu no escritório ou na casa da outra ou outro (11%); sempre ocupado (9%).
 
Portanto, a velha carta ainda compete, em pé de igualdade, com os mais modernos instrumentos de comunicação.  Uma carta é uma carta, diria a rosa, e os correios ainda estão funcionando, inda que abalados pela modernidade. E se por acaso temos dúvidas quanto ao endereço ou a grafia correta do nome do destinatário, é só ligar ou mandar email perguntando…  Obtemos rapidamente a resposta certa, no restante 1% em que o email é lido ou o telefone fala!
 
Alô, Celina se escreve com um ou dois ls? A rua é Constâncio ou Inconstant Sodré? Pra que quer saber? indaga a voz mal humorada do outro lado. Desculpe, mas preciso mandar uma carta. É assunto relevante ou pra oferecer assinatura de revista? Assunto do seu interesse, sim senhora. Então fala agora, pra que serve o telefone? Mas sempre que ligo tá ocupado, ou não atendem. Estamos falando uma com o outro, não estamos? Sim, mas como vou saber que voce é a Celina que procuro?
 
Então mande um email! grita Celina, batendo o telefone na cara do outro. Expressão equivocada, pois em se tratando de receptores de som, seria bater na orelha do outro. E o remetente da carta ficou na mesma. Mínimos detalhes, como faltar um centavo no selo ou um ponto entre o primeiro e o segundo nome do email, ou se o celular cair no vaso… e com toda a tecnologia moderna, ficamos tão incomunicáveis como Romeu. E olha no que deu!

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