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Erro de itinerário

O anúncio do cancelamento de 13 das 18 linhas do Integra Vitória deixou claro que o novo sistema de transporte imposto pelo prefeito Luciano Rezende (PPS) foi um tremendo tiro no pé. 
Menos de duas semanas após a implantação do sistema e com um protesto por dia nas ruas, o prefeito não suportou e decidiu recuar. Talvez tenha sido tarde demais. O revés político pelo insucesso do Integra é irremediável. 
Luciano tenta, desesperadamente, reduzir o desgaste com a população. O plano agora é tentar fazer o que ele deveria ter feito antes de lançar o Integra: apresentar a proposta às comunidades e discutir quais seriam as melhores solucões para os principais interessados no sistema: o usuário.
Apesar do revés, a decisão de não extinguir as 18 linhas é estratégica. A prefeitura manteve cinco linhas em funcionamento para o projeto continuar respirando, não se sabe até quando, com a ajuda de aparelhos. A extinção de todas as linhas decretaria a morte do Integra. E isso o prefeito não quer. Ele ainda tem esperança de que é possível transformar o ônus em bônus. Difícil.
A insistência do prefeito em salvar o Integra Vitória é uma tentativa desesperada de entregar à população, antes das eleições, algum projeto com a sua marca, já que a sensação que se tem é que o prefeito da mudança ficou devendo.
Para entrar numa disputa que tem tudo para ser duríssima, Luciano sabe que não pode sustentar o retrospecto de sua gestão, que prometia mudanças profundas na cidade, em pouco mais de 30 km de ciclovias e ciclofaixas ou enaltecendo prêmios de revistas e institutos que historicamente a cidade sempre amealhou com certa facilidade pelas suas características. A propósito, nesta sexta-feira (16) o prefeito destacou nas redes sociais que a cidade ganhou mais um prêmio. Foi considerada a capital mais transparente do País pelo Instituto Ethos. Ironicamente, o prefeito está sendo criticado justamente pela falta de diálogo e transparência no processo de implantação do Integra Vitória. Isso deixa claro que essa conversa de títulos é mais perfumaria, ajuda mais não ganha eleição. O cidadão não avalia sua cidade pelos títulos que ela tem.
A realidade para Luciano é bem mais dura e não há publicação que possa amenizá-la. Analisando o curto itinerário do neófito programa Integra Vitória, a conclusão que se chega é que houve soberba por parte do prefeito. Ele estava convicto que tinha um programa infalível nas mãos, que seria a grande marca de sua gestão. Uma iniciativa que, ao mesmo tempo, dava uma vantagem à população — duas viagens pelo preço de uma —, e, de quebra, ainda solucionava parte dos problemas de mobilidade urbana da cidade. 
Não contava o prefeito que seu principal coringa pode se tornar o mico de sua gestão. 

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