Finalmente estamos próximos de conhecer o grande projeto do governo Paulo Hartung. Foi entregue pelo governador ao presidente da Assembleia, Theodorico Ferraço (DEM), o projeto para a implantação das cinco primeiras unidades da “Escola Viva”. Também deve começar a tramitar na Casa, em breve, o Plano Estadual de Educação.
O Programa será realizado pela Secretaria de Estado da Educação (Sedu) com apoio do Instituto de Co-Responsabilidade pela Educação (ICE), que em síntese é uma escola em tempo integral com uma proposta de melhoria da qualidade de ensino.
Há que se observar, porém, o cenário que antecede essa movimentação. A educação no Estado está e uma situação crítica desde a posse de Hartung. Embora o governador insista que o problema é de gestão e não de falta de recursos, as demissões nas escolas aconteceram, não são ficção. Algumas unidades perderam quase todos os funcionários das secretarias e bibliotecários. Até o pessoal da limpeza e da merenda teve cortes. Isso não é ficção.
O entrevero entre o Estado e o município de Muniz Freire, de gestão socialista, também não é ficção. O secretário estadual de Educação, Haroldo Rocha, depois de anular, no início de janeiro, o aditivo firmado com o município no governo Casagrande – que devolvia a gestão das quatro escolas para o Estado -, chegou a declarar aos jornais que faltou competência ao prefeito Paulo Fernando Mignone (PSB) para manter as escolas sob responsabilidade do município. E após a derrota na Justiça o prefeito vem cumprindo a duras penas os alunos nas escolas.
A impressão é que para dar mais visibilidade ao projeto do governo para a Educação, primeiro é preciso criar uma terra a arrasada para reforçar o discurso político, que visa a desconstruir a imagem do ex-governador Renato Casagrande politicamente.
As questões da educação são complicadas no Espírito Santo. A qualidade não melhorou substancialmente no governo Renato Casagrande, mas ele tem de levar o crédito por ter pelo menos feito concurso para professores. Na época de Hartung, além do quadro interativo, que dispensa comentários, na gestão de Haroldo Correa, o período das aulas foi ampliado para 60 minutos, o que dificultou não só a compatibilização dos horários dos professores, como também dos alunos em estágio.
Ainda no governo Paulo Hartung a forma de pagamento do magistério foi mudada para a ilusória remuneração por subsídio, que atrela ao salário-base as gratificações e benéficos da categoria, o que foi contestado na Justiça. Com base nessas experiências não dá para confiar de olho fechado.
É preciso que os profissionais da área fiquem muito atentos não à Escola Viva, que pela incipiência do projeto é hoje mais uma perfumaria do que um projeto educacional para o Espírito Santo. O que deve ter acompanhamento de perto é o Plano Estadual de Educação, que tem uma abrangência muito maior e tem, assim, mais condições de mudar a cara da escola, se esse for mesmo o desejo do governo.
Isso porque investir em uma escola transformadora, que forme cidadãos críticos e cientes de seus deveres e, principalmente, direitos nunca foi exatamente a meta da classe política, por motivos óbvios. Para isso, não precisa necessariamente trancafiar uma criança ou adolescente em uma escola durante todo o dia, apenas uma mudança de abordagem.
Fragmentos:
1 – A Vale não vai demitir ninguém. Ela está é com medo da CPI do Pó Preto. A avaliação foi do deputado Enivaldo dos Anjos (PSD) na sessão especial para a prestação de contas do governador Paulo Hartung.
2 – O ex-governador Renato Casagrande (PSB) divulgou em sua página do Facebook nessa quarta feira a seguinte frase: “Você começa a fracassar não quando falha, mas quando passa a culpar os outros por isso”, o post foi acompanhado das hashtags “fikdik” e “horadegovernar”.
3 – Já o governador Paulo Hartung postou foto da inauguração da Estação de Bombeamento de Águas Pluviais da Bacia do Canal Guaranhuns, em Vila Velha, com sua inseparável camisa jeans.

