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Escolas mais vivas

Não há um número preciso, mas estima-se que as ocupações de universidades e institutos federais e escolas estaduais já passam da casa do milhar em todo o País. Os secundaristas capixabas também aderiram em massa ao movimento e a cada dia sobe o número de escolas (cerca de 60) ocupadas no Estado. Os estudantes resistem bravamente à Medida Provisória da reforma do Ensino Médio, à PEC do Teto dos Gastos, que congela os investimentos na Educação nas próximas duas décadas, entre outras políticas que ameaçam sucatear ainda mais a já maltrada educação pública brasileira.
 
Como costuma acontecer em quase todos os protestos, o movimento de ocupação tem dividido opiniões. De um lado estão os estudantes que querem suas aulas de volta. Esse grupo não se importa com os desdobramentos da PEC do Teto ou simplesmente não concorda que a melhor solução para tentar conter a medida no Senado seja a ocupação. De outro lado estão os que apostam na ocupação como uma estratégia de luta para resistir à PEC
 
Concordando ou não com a estratégia, é preciso reconhecer que o movimento de ocupação está dando uma aula de mobilização e organização. Os secundaristas estão aprendendo e ao mesmo tempo ensinando o exercício da democracia.
 
Ora, não se pode chamá-los, como insistem alguns, de vagabundos”, “desocupados” ou “marionetes” de partidos políticos e sindicatos. Eles estão reivindicando um pleito legítimo. A PEC é assim uma ameaça real à Educação. 
 
Se de um lado os secundaristas estão mostrando protagonismo para lutar por seus direitos, as autoridades expõem o distanciamento que há entre o poder público e a comunidade escolar. 
 
No Espírito Santo, o secretário estadual de Educação, Haroldo Rocha, é um desses burocratas que se mostram divorciados da realidade da educação. Meio sumidão desde que impôs goela abaixo à comunidade escolar o programa Escola Viva, Haroldo voltou à cena para tentar negociar com os estudantes, como se o diálogo fosse uma prática corriqueira do secretário. O titular da Educação ficou contrariado nesta terça (1) após ouvir um recado dos ocupantes da Escola Maria Horta, em Vitória. “Temos uma agenda e o senhor está atrapalhando, mas nós iremos ver um espaço pra conversarmos”.
 
Em vez de ficar contrariado, o secretário deveria fazer uma reflexão sobre o motivo dessa “dificuldade de agenda”. Será que o secretário não tem legitimidade para estabelecer um diálogo com os estudantes por que o Estado tem sido omisso e distante da Educação?
 
Mas a reflexão parece ter levado o secretário a reagir de outra maneira à ocupação. Haroldo anunciou nesta terça que vai entrar com uma ação na Justiça para assegurar o retorno das aulas nas escolas ocupadas. Para se isentar dos desdobramentos da decisão da Justiça, Haroldo disse que não irá pedir a reintegração de posse. Mas também deixou implícito que não poderá se responsabilizar pelos métodos que a Justiça usará para assegurar as aulas nas escolas ocupadas. 
 
O secretário que impôs o Escola Viva e chamou todos as outras escolas da rede pública estadual de “chatas”, está entendendo agora que o movimento de ocupação é capaz de transformar qualquer escola em “viva”.

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