A decisão da Câmara em não permitir a abertura de inquérito contra o presidente Michel Temer enfraqueceu os movimentos do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que é o primeiro na linha de sucessão da Presidência da República. Esse enfraquecimento pode revelar uma certa precipitação do governador Paulo Hartung, ao permitir que transpirasse o namoro dele com o partido de Maia, o DEM.
Não que Temer tenha se fortalecido ao permanecer no governo, vai sangrar até 2018, mas fica adiado o projeto demista de chegar à presidência e dificulta a movimentação para fortalecer o partido. Nesse contexto, alimenta ainda mais a curiosidade sobre as conversas entre Hartung e Maia, no Estado, e a conversa de Hartung, Maia e Temer, em Brasília.
Além disso, o dilema do governador aumenta. Se deixar o PMDB, vai abrir o caminho para que a senadora Rose de Freitas, essa sim fortalecida com a permanência de Temer até 2018, sem possibilidade de afastamento imediato. Se permanecer no PMDB, vai colher o desgaste da imagem do presidente, que nele cola, já em Rose, isso é compensado com o acesso aos recursos do governo federal.
Se a ideia foi deixar a conversa com o DEM “vazar”, para mostrar engajamento com as questões nacionais, o governador pode ter se antecipado e contou com uma abertura de inquérito contra Temer, que não aconteceu. Se a ideia foi mandar recado para o PMDB barrar Rose e festeja-lo, a manobra também não parece bem sucedida. Depois do episódio dessa quarta-feira (2), na Câmara, fica a dúvida se o governador vai mesmo concretizar essa ideia de ir para o DEM e, mais, de levar deputados federais com ele.
Com a porta fechada no PSDB, com o rumo incerto do DEM e o desgaste do PMDB, o caminho de Hartung pode ser mesmo o PSD, que tem conservado em alta conta em seu secretariado. Mas isso também vai depender muito das movimentações do que vai valer como regra e quais os espaços que ele vai conseguir abrir para uma campanha à reeleição, que aliás, é o que lhe resta.
Fragmentos:
1 – Quem vê o vídeo do senador Magno Malta (PR) depois da reunião da bancada federal com membros do governo para debater as obras da BR-101, com Sérgio Vidigal (PDT) ao seu lado, não imagina que a coisa ficou feia entre os dois no mesmo dia.
2 – O ex-governador Renato Casagrande, que tem evitado os assuntos nacionais, se posicionou sobre o arquivamento do processo contra o presidente Temer na Câmara dos Deputados. “Temer está a salvo da guilhotina, pelo menos, por enquanto. Concluída essa etapa, cabe a nós agora resistir à retirada de direitos dos trabalhadores que a reforma da previdência apresentada pelo governo está propondo”, afirmou.
3 – E por falar em Casagrande, se houver nova eleição no município de Castelo, no sul do Estado, o socialista pode realizar seu sonho de eleger o irmão Cesinha Casagrande (PSB) em sua cidade natal. Deve ir com tudo para o município na tentativa de conquistar a prefeitura.

