O movimento social intitulado Levante Popular da Juventude, criado em 2012, vem fazendo o chamado “escracho” em frente às residências ou locais de trabalho de pessoas acusadas de praticar crimes durante a ditadura militar.
Em menção aos 50 anos do golpe militar (31/03/1964), o Levante, que tem núcleos espalhados por quase todos os estados brasileiros, promoveu o “escracho” em várias cidades.
Em Brasília, por exemplo, o “escracho” foi na casa do coronel Brilhante Ustra. Cerca de 150 manifestantes colaram cartazes de pessoas mortas e torturadas na ditadura em frente à casa do coronel responsável pelo DOI-Codi durante o regime militar.
No Espírito Santo, o Levante foi até a garagem da Viação Itapemirim para “escrachar” o deputado federal Camilo Cola (PMDB). O empresário é acusado de ser um dos financiadores das ações criminosas da ditadura.
No livro “Memórias de uma Guerra Suja”, dos jornalistas Rogério Medeiros e Marcelo Netto, publicado em 2012, o ex-delegado da Polícia Civil do Espírito Santo Cláudio Guerra acusa Cola de ser o mandante da morte de José Roberto Jeveaux, dono do jornal o Povão, sediado em Vitória.
Cola estaria sendo chantageado por Jeveaux e acabou perdendo a paciência com o jornalista. Segundo Guerra, além do mando do crime que tirou a vida de Jeveaux, Camilo Cola apoiava outras ações clandestinas do regime militar.
O “escracho” do Levante é uma forma criativa e pacífica, mas não menos eficaz, de protestar contra os personagens que operaram nos anos de chumbo e seguem impunes.
Enquanto não há Justiça, como defende o Levante, “há escracho”. O dedicado a Camilo Cola foi mais que merecido. Além das ações de apoio ao regime militar, o deputado, atualmente, é um dos empresários que fazem parte da lista suja do trabalho escravo. O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) flagrou, em 2013, empregados das fazendas de Cola em situação análoga à escrava. Sem dúvida, merece o “escracho”.

