A sabedoria publicitária diz: “vamos pra rua, que a rua é a maior arquibancada do Brasil!” As principais cidades do país estão nas ruas reivindicando, mais do que preço justo para o transporte coletivo, justiça social. Esses movimentos refletem o clima de insatisfação popular com relação ao modelo politico brasileiro cheio de impunidade, corrupção (politica e religiosa), agressões aos direitos humanos, tentativas de golpes a laicidade constitucional promovendo o preconceito e a intolerância.
Enquanto isso, se aproveitando do esvaziamento das sessões, a antiga comissão de direitos humanos e minorias da câmara dos deputados – hoje comissão do preconceito e intolerância – aprova a chamada “cura gay”, num total retrocesso aos direitos civis dos LGBTs e aos posicionamentos médicos científicos – a OMS (Organização Mundial de Saúde), já ha 21 anos desconsidera a homossexualidade como doença. São ignorantes impondo a sua estupidez ao CFP (Conselho Federal de Psicologia) que acusa o tratamento de cruel, gerador de frustações e promotor de suicídios – Não passa de lavagem cerebral e tortura mental. Não se pode curar o que não é doença.
Os movimentos ganharam as ruas justamente com a chegada de Marco Feliciano a CDHM. Brasília ignorou o fato, a própria Presidenta Dilma se fechou no gabinete, preocupada apenas com a sua reeleição, fazendo coligações espúrias e pouco voltadas aos anseios populares. A indiferença Dilmiana, que fez de nós, LGBTs, moeda de troca eleitoreira, se refletiu no todo social e a vaia ressoou no “Mané Garrincha”, enquanto, com cara de “bunda”, a presidenta engolia seu discurso e perdia uma grande oportunidade na sua ilegal campanha.
Por trás de tudo está a chantagem e a coação. Minutos da campanha na TV, negociados a custa de cargos e da opressão a minorias sociais, pela inconstitucional e totalmente inoperante, nos verdadeiros problemas nacionais, bancada fundamentalista evangélica. Políticos que não passam de figuras grotescas, empoleiradas como gárgulas na muralha da ignorância social, promovendo falcatruas apoiados no fanatismo religioso.
No momento que o povo vai as ruas, acende o sinal vermelho, acabou a paciência. A falta de sensibilidade e despreparo dos governantes, os impede de perceber o perigo da erupção social. E a voz do povo se levanta – Chega de desrespeito e tentativas de manipular o poder (PEC33/11 – O legislativo controlando o STF e PEC 99/11 – Que autoriza as igrejas a contestarem leis e decisões do STF acabando com o estado laico), chega de impostos exorbitantes, queremos respeito aos direitos civis de minorias, reforma politica, mais educação, segurança e saúde. Isso faz um país de verdade. E se a festa vai aos estádios, nós vamos às ruas que é “a maior arquibancada do Brasil”.
Luiz Felipe Rocha da Palma (Phil Palma) é publicitário. Nas “horas vagas” (às quartas) comanda o programa “Praia do Phil” pela rádio Universitária FM, onde defende os LGBTs e denuncia a homofobia. Fale com o autor: [email protected]

