Dos 78 prefeitos eleitos em 2012, sem dúvida, nenhum tem sido tão contestado quanto o chefe do Excecutivo de Vila Velha. Desde que assumiu o comando do município canela-verde, Rodney Miranda vem se destacando negativamente em função de sucessivas trapalhadas administrativas, que confirmam que ele não estava preparado para assumir a segunda cidade mais populosa do Estado, com quase meio milhão de habitantes.
A trapalhada mais memorável ocorreu em dezembro de 2013, quando o prefeito ainda não tinha completado um ano de mandato, mas quis porque quis curtir as férias com a família na terra do Tio Sam.
A população vilavelhense jamais irá apagar da memória a malfadada viagem de Rodney aos Estados Unidos, quando o município estava literalmente debaixo d’água, em função das fortes chuvas que castigaram o Espírito Santo naquele verão.
O fato de o prefeito ter abandonado o barco quando o município mais precisava do seu comandante foi imperdoável. O episódio não só arranhou a imagem do prefeito, mas causou vincos irreversíveis. É como se as chuvas tivessem lavado a embalagem que revestia o prefeito “inventado”.
O episódio comprovou que o “produto Rodney” era uma farsa. Os eleitores que “compraram” o produto encantados com a reluzente embalagem, perceberam que haviam sido vítimas de um estelionato eleitoral.
O criador da criatura foi Paulo Hartung, que trouxe o então delegado federal de Brasília ainda em 2002 para comandar a pasta da Segurança. Muito mais que um nome técnico, Hartung queria “lançar um produto” com forte apelo midiático, uma vez que o titular da pasta faria parte de um plano de marketing ainda maior, que sustentaria o discurso da unanimidade do governador Paulo Hartung durante seus dois mandatos: o combate ao crime organizado.
Hartung queria um homem com a grife de delegado federal, com cara de xerifão, durão. O todo-poderoso que não se amedrontaria na hora de enfrentar o “inimigo imaginário” chamado crime organizado.
Apesar do investimento midiático, Rodney cometeu sua primeira escorregada no escândalo do grampo da Gazeta. O desgaste para o governador Paulo Hartung foi grande. A saída foi mandar o delegado para o agreste pernambucano até que as coisas caíssem no esquecimento por aqui.
Rodney retornou do retiro forçado quase um ano e meio depois, para novamente assumir a Segurança. Seu desempenho à frente da pasta – as estatísticas avaliam melhor que ninguém – foi um fiasco. Sem dúvida, a pior gestão de segurança que esse Estado já teve. Mas quando o marketing é bom e a imprensa é amiga, não a estatística que resista.
Mesmo com um histórico pífio na Segurança, o personagem “Rambo” não só assegurou a Rodney uma vaga na Assembleia como lhe conferiu a maior votação a deputado estadual nas eleições de 2010. Até hoje há muita gente que se pergunta de onde vieram os mais de 65 mil votos de Rodney.
Depois de menos de dois anos de um mandato nulo na Assembleia (alguém se recorda de alguma lei importante que o deputado tenha proposto?), Rodney surpreenderia novamente ao derrotar dois medalhões da política canela-verde – Max Filho e Neucimar – e conquistar a Prefeitura de Vila Velha com o apelo do “novo”.
De janeiro de 2013 para cá, a população canela-verde conhece o retrospecto de trapalhadas do prefeito de cor e salteado. No início deste ano, por exemplo, o prefeito protagonizou mais um episódio lamentável, ao apoiar publicamente a ação desastrada de um segurança, que acabou tirando a vida de um jovem com dependência química, que teria invadido o prédio da prefeitura, desarmado, para “acertar contas” com o prefeito. Em poucas palavras, o prefeito defendeu a violência para combater a violência.
A mais nova escorregada põe em contradição o discurso de austeridade que o prefeito vem adotando por orientação de seu guru político, Paulo Hartung. A mesma guilhotina que o governador adotou na administração estadual no seu terceiro mandato, vem sendo replicada por Rodney em Vila Velha: corte linear 20% em todos os gastos.
Nesta quarta (25), porém, a população vilevelhense descobriu que a austeridade é da porta do gabinete do prefeito pra fora. Uma ação popular está questionando os vencimentos do prefeito, que vem recebendo acima do teto constitucional. No processo, o representante comercial Júlio César Valadares Brahim, autor da ação, pede o ressarcimento aos cofres públicos dos valores a mais que Rodney vem recebendo.
Rodney, que é delegado aposentado da Polícia Federal, já admitiu o “erro” e fez um “acordo” para parcelar a devolução do dinheiro aos cofres públicos em suaves parcelas. Parece piada, mas não é.
Independentemente dos valores, que ainda serão confirmados pela Justiça, mais uma vez, Rodney mostrou despreparo para governar uma cidade da importância de Vila Velha. A partir desse novo escândalo, como o prefeito terá moral para anunciar medidas amargas para conter gastos, se ele é o primeiro a sangrar os cofres da prefeitura?
O caso Rodney deixa mais um aprendizado: os produtos “fabricados” por Hartung já não convencem mais a população. Outro exemplo recente do fracasso de marketing do governador é a Escola Viva. O projeto que prometia revolucionar a educação capixaba, é visto como mais um engôdo de Hartung.

