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Estilingues eleitorais

Para quem achava que a campanha eleitoral de 2014 não está nas ruas, basta como desmentido a presença do ex-governador paulista José Serra no último programa  RodaViva (toda segunda-feira às 22 horas), da TV Cultura de São Paulo, transmitido nos estados pelas emissoras ditas educativas.
 
 
Dava para notar, pelo constrangimento do apresentador Mario Sergio Conti, que a escolha do entrevistado da noite não fora dele, nem de qualquer jornalista que se preze.
 
A bancada de perguntadores parecia formada para levantar a bola para o tucano cortar.  Ninguém me convence que o atual ocupante do Palácio Bandeirantes, ou algum preposto, não meteu o bico na pauta da emissora.
 
 
Por que colocar na cadeira giratória da TV Cultura um  político “desaparecido” desde novembro de 2010, quando foi derrotado por 6 x 4 por Dilma Rousseff? Se era para analisar as manifestações populares, não seria mais indicado um sociólogo ou um cientista político?
 
 
Pensando pela óptica de quem pretende disputar o poder, ninguém mais indicado para usar o estilingue contra a vidraça do momento do que um nome queimado. Serra não tem mais nada a perder. Pode até levar alguma vantagem ali adiante.
 
 
Para os tucanos, que têm o controle do governo paulista e, portanto, da TV Cultura, não seria prudente expor o seu candidato natural, Aécio Neves, ao risco de dizer bobagens ao vivo.
 
 
Sim, eles poderiam ter indicado ao RodaViva o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, mas esse parece não estar disponível para confrontos televisivos, aliás está bastante confortável no papel de guru do PSDB, o partido que manda em São Paulo, Minas, Goiás e no Paraná, e trabalha para voltar ao Planalto (se voltar, vai privatizar o que sobrou da privataria dos anos 90).  
 
 
No fim das contas, se ocupou indevidamente a cadeira giratória, Serra acabou usando sua condição de economista e ex-ministro do Planejamento para dizer algo que ninguém ainda tinha tido coragem de dizer: o modelo econômico vigente no Brasil está esgotado e não tem mais nada para dar.
 
 
Segundo Serra, estamos virtualmente com crescimento zero na economia, taxas de emprego caindo, déficit nas contas externas, inflação pressionando os custos e gerando um descontentamento generalizado que se traduziu nos movimentos de rua.
 
 
OK, o diagnóstico (parcial) de Serra é correto, mas interesseiro. Aos tucanos interessa minar o prestígio do PT, já naturalmente abalado pelas ratas petistas. Na quarta-feira, o ministro Guido Mantega deu uma resposta, dizendo que há muitos empresários brasileiros e estrangeiros dispostos a investir no Brasil, ou seja, seria possível retomar o crescimento etc.  
 
 
É um tiroteio eleitoral franco. A campanha presidencial está nas ruas. Cabe perguntar se nesse ritmo chegaremos ao x da questão, que consiste em mudar a essência do modelo econômico brasileiro, baseado numa das amais brutais desigualdades de renda  do planeta.   
 
 
 
LEMBRETE DE OCASIÃO
 
‘SEJA MARGINAL, SEJA HEROI’ 
 
(Cartaz criado após a passeata dos 100 mil, em 1968, no Rio, pelo artista plástico Helio Oiticica)  
 
        

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