quinta-feira, abril 2, 2026
24.9 C
Vitória
quinta-feira, abril 2, 2026
quinta-feira, abril 2, 2026

Leia Também:

Estratégia da intimidação

Paulo Hartung foi sem dúvida o candidato que criou o maior mistério em torno da decisão de disputar as eleições deste ano. Até a véspera da convenção do PMDB, muita gente ainda se perguntava se o ex-governador entraria mesmo na disputa. O próprio governador Renato Casagrande (PSB), hoje adversário de Hartung, esperou até o último momento um recuo do peemedebista. 
 
Todo esse mistério criado por Hartung tinha uma explicação. O ex-governador temia enfrentar um algoz implacável. Um “candidato” que poderia frustrar o seu projeto de retornar ao Palácio Anchieta. Quem seria esse temido “candidato”: as denúncias acumuladas nos oito anos de governo que poderiam pipocar a qualquer momento .
 
A estratégia encontrada para afastar essa ameaça foi um expediente recorrente do ex-governador: manter o controle das instituições que têm o poder de “mandar soltar e mandar prender”. Leia-se: Tribunal de Justiça, Ministério Público Estadual e Tribunal de Contas. 
 
O ex-secretário Segurança de Casagrande, Henrique Herkenhoff, que falhou na missão de enfrentar a violência, tem se mostrado um advogado de primeira na arte de defender o ex-governador. Herkenhoff reúne qualidades imprescindíveis para um bom advogado. É competente e influente. 
 
Nesta quarta (23), ele ganhou mais uma batalha para Hartung. Não é uma vitória qualquer, mas um trunfo repleto de simbolismo. O plenário do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-ES) concedeu direito de resposta para o ex-governador rebater duas reportagens sobre a suposta omissão de informações em sua declaração de bens ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O relator do caso, desembargador Carlos Simões Fonseca, garantiu o benefício ao peemedebista após ter rejeitado o pedido em caráter liminar. O magistrado também se manifestou pela censura às matérias publicadas no jornal ES Hoje e no blog do jornalista Elimar Côrtes.
 
Formular o direito de resposta será um novo desafio para Herkenhoff, porque ele terá que desconstruir os argumentos das duas reportagens sustentadas em fatos. Afinal, os dois veículos levantaram suspeição sobre a eventual ausência do registro da venda de um apartamento de luxo no Barro Vermelho, bairro nobre de Vitória, na declaração de bens entregue pelo peemedebista ao TSE. O imóvel foi comprado por R$ 48 mil e vendido em seguida por R$ 2,1 milhões, de acordo com o registro no Livro Registro nº 2, matrícula 59364, do 2º Cartório de Registro de Imóveis de Vitória, datado de 19 de maio de 2010. 
 
Herkenhoff devia estar pra lá de satisfeito com censura dos conteúdos. Agora precisará encontrar uma boa resposta para criminalizar os veículos. Se bem que, qualquer argumento que a defesa de Hartung usar para inocentar o candidato será imposto goela abaixo aos veículos. 
 
Se a resposta não convencer é o que menos importa. As vitórias sucessivas de Hartung servem como uma lição da Justiça para outros veículos atrevidos que insistirem em passar os podres do candidato a limpo. As regras do jogo estão definidas. A estratégia é a intimidação.

Mais Lidas